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quarta-feira, 28 de março de 2012

Ai, ai, ai...

A Fnac em França prepara-se para vender aspiradores e máquinas de café. Depois de alguns maus resultados, a empresa vai diversificar a oferta mas promete não diminuir o espaço reservado aos livros e à cultura:
Alexandre Bompard a voulu rassurer le monde de l'édition, dans une interview accordée mi-mars à Livres Hebdo : «La place du livre n'a pas vocation à diminuer» au sein du réseau Fnac. Pour preuve, avance-t-il, les rayons livres sont pas concernés par le plan de 500 suppressions de postes annoncées récemment. Fonte: Le Figaro
Assim esperamos, mas com as notícias das livrarias que vão fechando aqui e ali, parece que o bicho-papão que era a Fnac também não está livre de perigo. É verdade que a Amazon vai de vento em popa, mas na Amazon também já se vende de tudo um pouco.

Vamos mesmo ter de nos despedir dos livros em papel?

domingo, 25 de março de 2012

Notícias que doem

Segundo a SIC Notícias, morreu hoje, em Lisboa, Antonio Tabucchi. Embora Nocturno Indiano ou Pequenos Equívocos sem Importância sejam as obras que mais facilmente evoco, tenho um especial carinho por As Tentações, na associação entre as palavras de Tabucchi e o quadro de Hieronymus Bosch.

Há notícias que doem. Esta é uma delas.



(Imagem Wikipedia.)

domingo, 18 de março de 2012

Entre o elogio e a apreensão

Enquanto por aqui se sugere a reintrodução de Camilo Castelo Branco nos currículos, Putin propõe que seja estabelecida uma lista de 100 livros que os alunos russos devem ler e estudar: Putin proposes a new canon - New York Times.
A defesa da brilhante literatura russa é um projecto a acarinhar mas, por outro lado, a memória recente da educação política e propagandística que marcou o regime soviético é razão para se ficar um pouco apreensivo.

Todavia, tendo em conta as ameaças que pairam sobre a literatura (os ebooks com a sua nova forma de ler, o custo dos livros, a crescente incapacidade de concentração da sociedade), qualquer medida que procure defender a literatura é uma medida que, em princípio, aplaudo. Comedidamente, neste caso, mas aplaudo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um Conto de Natal

Prendinha de Natal. (encontrada aqui).

Um Conto de Natal, Charles Dickens.

                                                           (Versão brasileira em PDF)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Convite - Faces de Eva

Um pouco em cima da hora, mas ainda a tempo.
É hoje e a entrada é livre.


Fica o convite.

(Post pré-programado para publicação a 14/12/11, pela manhãzinha)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Está um tempo

um bocado assim...
 
   Só apetece ler algo assim ou ver algo com este senhor aqui.

Imagens encontradas aqui e ali.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cassandra - Christa Wolf

Morreu Christa Wolf , no passado dia um de Dezembro. Há cerca de duas semanas tinha pensado em reler Kassandra, na belíssima edição da Cotovia.  Essa pequena obra-prima perturbou-me para além do que devia ser permitido quando a li, há muitos anos atrás, e continua a perturbar-me agora, anos depois, quando a retomo poucas semanas antes da morte da autora.
Mas é uma narrativa impossível, em que se rema contra um trágico destino mas em que o espaço do mito é de tal forma reinventado e actualizado que se torna, paradoxalmente, plausível.

Christa Wolf pega no mito da jovem Cassandra e retira-lhe o peso do castigo divino, revelando-a antes como alguém que sabe a verdade que não pode ser dita. A filha de Príamo, que o mito descrevia como uma profetisa em que ninguém acredita, surge antes como uma jovem envolta nas questões políticas da Guerra de Tróia, censurada por saber a verdade e pelo seu inconformismo.
Seguir a corrente de consciência de Cassandra, nos últimos dias da sua vida, é saber que se caminha para um abismo e que esse abismo é criado por nós.


domingo, 23 de outubro de 2011

Escritas

     "Eu só domino a linguagem dos outros. A minha faz de mim o que quer."  Karl Kraus, O Apocalipse Estável, apaginastantas, p. 17.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Escrever do corpo


"Censor the body and you censor breath and speech at the same time. Write yourself. Your body must be heard." Cixous, Hélène. The Laugh of the Medusa. in: Signs. Vol. 1, No. 4, Cixous, Hélène. p. 875-893, Summer 1976.
Citado a partir daqui.

Embora Hélène Cixous escreva, frequentemente, sobre e a partir de um corpo feminino (que pensa feminino e que não é necessariamente feminino), a escrita a partir do corpo é, quase sempre, aquela que prende o nosso cérebro.
Imagem daqui, dando continuidade à minha adoração pelo trabalho de Teun Hocks.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Boas (?) notícias para escritores, más (!) notícias para os editores

A Amazon está a publicar directamente livros de vários autores, negociando contractos com escritores e deixando para trás o middleman, o intermediário na figura do editor tradicional. As velhas editoras não estão a gostar da história, mas para os escritores poderá ser uma forma de chegar mais rapidamente ao mercado através de um gigante comercial que investe em literatura light mas também em autores mais obscuros. Mesmo se através da ligação a livrarias de livros em segunda mão ou a alfarrabistas, a Amazon tem. Tem quase tudo.
Não sei se a longo prazo será bom para os leitores mas, para já, parece-me uma boa ideia sermos libertados dos gostos editoriais de quem tem dominado o mercado livreiro.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Velhos são os trapos!

Livros da editora Reclam, na Feira do Livro de Frankfurt. Os velhinhos que aqui tenho são, quando abertos, muito pouco práticos de ler: letra miudinha, papel fraquinho e amarelado. Mas são também um mimo porque cabem em qualquer lugar, são levezinhos e têm o essencial - o texto que se lê sem distracções de imagens, floreados ou impressões caras.
A prática editorial da Reclam foi, talvez, uma das maiores impulsionadoras da compra de livros em detrimento das fotocópias (embora me lembre também de haver quem tirava fotocópias para conseguir ver as letras mínimas dos livros...).
É com carinho e memórias afectuosas da Reclam que olho para esta fotografia, encontrada aqui.
Fica, também, a homenagem singela aos singelos mas excelentes livros da editora que tinha sempre tudo o que eu precisava.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O enigma

"I have come to believe that the whole world is an enigma, a harmless enigma that is made terrible by our own mad attempt to interpret it as though it had an underlying truth." - Umberto Eco.

Fonte da imagem








(Ainda a digerir algumas ideias relativas ao Cemitério de Praga, lembrei-me desta citação retirada de uma entrevista a Umberto Eco)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Marx tinha razão!

"I find television very educating. Every time somebody turns on the set, I go into the other room and read a book." Groucho Marx.

Finalmente dei conta d'O Cemitério de Praga. Os meus agradecimentos vão para o serviço público de televisão (com as suas variadas touradas e programas de "entretenimento"), para os canais portugueses privados (quem é aquela gente toda a fingir que é actor?) e para os canais de cabo que estão cada vez mais repetitivos. 

Para quem gosta de história e de estórias bem escritas é imperdível. Um conselho muito a sério: ter uma enciclopédia por perto (ou a Internet) para ir deslindando algumas ligações e referências históricas. Assim que voltar a ter algum tempo ponho aqui uma reflexão mais cuidada sobre o texto.
Imagem aqui.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Boa publicidade - Franz Kafka aos bocadinhos

No México, uma livraria decidiu colocar excertos de uma história de Franz Kafka nas estações de Metro com o objectivo de tentar despertar o gosto pela leitura. Percorrer várias estações numa certa sequência até permite ler a história toda mas, com certeza, é mais fácil pegar num livro e lê-lo de seguida. E por que não, pegar no livro e lê-lo no metro enquanto as palavras da história também vivem do lado de fora da carruagem? Só não convém começar pela estação terminal (da história, claro!).
A imagem do texto (genuinamente kafkiano!) é daqui.
 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Alterações climáticas - como imaginar o futuro?

Escritores como Margaret Atwood e David Mitchell vão colaborar num livro de short stories, intitulado I'm With the Bears, que tem como tópico os efeitos futuros das alterações climáticas.

Grandes escritores + short stories + ficção científica = quando é que está disponível na Amazon? Infelizmente, só em Outubro... Mas já fica o gostinho na boca.
Pena que Isaac Asimov ou Philip K. Dick (que saudades do Mundo do Rio!) já não possam contribuir para esta colectânea. Será que Ray Bradbury terá direito a uma palavrinha?

Imagem do filme Logan's Run e de uma Terra em que a escassez dos recursos não permite vidas muito longas. ("Renew, renew" é o cântico esperançoso no filme dos trintões que esgotaram o prazo de validade!)

(Post pré-programado para publicação a 25 de Agosto)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Atonement - releituras

"There was a crime. But there were also the lovers. Lovers and their happy ends have been on my mind all night long. As into the sunset we sail. An unhappy inversion. It occurs to me that I have not travelled so very far after all, since I wrote my little play." Ian McEwan, Atonement, Jonathan Cape, London, p. 370.
Uma exploração profunda da mente e das emoções humanas. Uma forma também de oferecer uma teoria dos finais felizes que se desdiz, surpreendentemente, no fim da obra. Uma das razões porque Ian McEwan é um escritor que ainda não me desiludiu. 
O filme também se vê bem, mas o livro está num outro patamar.

 Imagem do filme Atonement, de Joe Wright.
Saoirse Ronan e James McAvoy. Fonte

(Post pré-programado para publicação a 24 de Agosto)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Moments of bliss

Katherine Mansfield, Bliss and Other Stories
"Bliss"
Although Bertha Young was thirty she still had moments like this when she wanted to run instead of walk, to take dancing steps on and off the pavement, to bowl a hoop, to throw something up in the air and catch it again, or to stand still and laugh at - nothing - at nothing, simply.
What can you do if you are thirty and, turning the corner of your own street, you are overcome, suddenly, by a feeling of bliss - absolute bliss! - as though you'd suddenly swallowed a bright piece of that late afternoon sun and it burned in you bosom, sending out a little shower of sparks into every particle, into every finger and toe?...
  Imagem daqui    
 (Post pré-programado para publicação a 18 de Agosto)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

It's a book, dummy!

Com as férias a aproximarem-se, também é o momento de dedicar-me aos livros em papel. Ou qualquer dia estou assim...

(Recebido por email)

sábado, 16 de julho de 2011

O dom da escrita - Margaret Atwood, The Handmaid's Tale

Em The Handmaid's Tale, a vivência é a de uma prisão: a prisão ao corpo, do corpo, etária e social. O espaço distópico desta sociedade, em que às jovens compete gerar os filhos da elite, é controlado através de uma regulação gestualizada e ritualizada do seu quotidiano.
A linguagem cumpre o papel essencial de nos fazer experienciar essa distopia: prosaica, minimalista na ausência de verbos ou de adjectivação, fecha-nos nos espaços que, embora quase vazios, sufocam. Esta é a descrição do quarto da Aia Offred. Esta é a mestria de Margaret Atwood.

"A chair, a table, a lamp. Above, on the white ceiling, a relief ornament in the shape of a wreath, and in the center of it a blank space, plastered over, like the place in a face where the eye has been taken out. There must have been a chandelier, once. They've removed anything you could tie a rope to.
A window, two white curtains. Under the window, a window seat with a little cushion. When the window is partly open--it only opens partly--the air can come in and make the curtains move. I can sit in the chair, or on the window seat, hands folded, and watch this. Sunlight comes in through the window too, and falls on the floor, which is made of wood, in narrow strips, highly polished. I can smell the polish. There's a rug on the floor, oval, of braided rags. This is the kind of touch they like: folk art, archaic, made by women, in their spare time, from things that have no further use. A return to traditional values. Waste not want not. I am not being wasted. Why do I want?
On the wall above the chair, a picture, framed but with no glass: a print of flowers, blue irises, watercolor. Flowers are still allowed. Does each of us have the same print, the same chair, the same white curtains, I wonder? Government issue?
Think of it as being in the army, said Aunt Lydia."