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sábado, 29 de setembro de 2012

Terreiro do Paço e Plaza de Neptuno

 

 
 
O texto é do alemão Der Spiegel.
 
As imagens são do jornal Público e do El País.
 
A crise é de todos nós. Ou talvez não.

domingo, 15 de julho de 2012

Em vias de extinção

A Escola Pública é uma espécie ameaçada. A redução de turmas nos Cursos Profissionais, a redução de turmas dos Cursos Nocturnos (EFAs, Recorrente), os mega-agrupamentos e o fecho dos CNOs  implicaram o desaparecimento automático de milhares de horas para os docentes. A estes factores acresce ainda a redução das horas atribuídas às Direcções de turma, o aumento do número de alunos por turma e a diminuição da carga horária em algumas disciplinas. Como exemplo: a disciplina de opção de 12º ano passa de 3 para 2 blocos lectivos por semana mas mantém o mesmo programa. Como? Se calhar da mesma forma como, ao longo dos anos, se tem tentado meter o Rossio na Rua da Betesga.

Foram muitos os que andaram, ansiosos, na primeira semana de Julho, a fazerem contas aos pinguinhos de horas que lhes poderiam conseguir um horário na escola onde leccionam há 10, 20 ou 30 anos. Foram, provavelmente, mais ainda os que pensaram que o problema lhes passaria ao lado e que foram brutalmente surpreendidos por um SMS, um telefonema ou uma carta da Escola a avisar que, afinal, teriam de concorrer para longe. Em alguns casos, como nos Concelhos da Área de Lisboa, para muito longe. Fala-se em mobilidade e em hipermobilidade: um docente com 30 anos de carreira e a leccionar numa escola do Centro de Lisboa até pode concorrer apenas para a escola da rua ao lado mas, se não tiver lugar nessa escola, arrisca-se a ficar colocado em Alcochete, na Moita, em Vila Franca de Xira e por aí fora. Não parece muito longe quando se pensa nas escolas mais centrais mas há localidades e lugarejos com poucos acessos e nem todos têm carta e carro. Acima de tudo, nem todos esperavam que esta possibilidade se tornasse real.

A grande maioria destes professores voltará para as suas escolas em Setembro por duas razões: primeiro, porque não estando ainda concluídas as matrículas, as escolas não têm ainda os dados suficientes para saberem quantos professores precisam e, por isso, foram enviados, certamente, muitos mais professores para concurso do que os necessários.
Em segundo lugar, muitos dos professores não terão lugar noutras escolas e ficarão na escola de origem, com horário zero, coadjuvando colegas, dando apoios e a ser pau para toda a obra, substituindo os outros colegas que, de rastos e com turmas de 30 alunos no mínimo, deixam de ter condições para fazer um trabalho decente. Pior do que isso, ficarão numa Bolsa de recrutamento que os pode ir enviando para substituições aqui e ali, consoante as necessidades do sistema. Algo que já acontecia aos professores contratados e a alguns professores do Quadro nos últimos anos mas que agora se agrava pela dimensão que irá ter a nível nacional.

Os contratados, por seu turno, irão, mais do que nunca, engrossar as fileiras dos que recorrem ao subsídio de desemprego.

Quem escapou este ano pode esperar um futuro incerto. Quem foi apanhado já na rede terá tomado consciência de que o sistema se está a preparar para reduzir a Escola Pública a um armazém onde meia dúzia de infelizes se encarregam de vigiar e manter ocupados centenas de jovens que ainda não atingiram a idade laboral.
A Escola Pública assistiu a uma hecatombe de horários zero na passada 6ª-feira. Provavelmente só quando começarem a aumentar as baixas docentes e os problemas disciplinares lá para Outubro é que o restante país terá consciência do que aconteceu. 
Não foi o azar de uma 6ª-feira, 13. O azar acontece; isto foi tudo planeado. Com regra, esquadro, calculadora e os euros em mente.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Notícia de última hora ou anedota?

Como é que é? Os cortes nos subsídios de Natal e de Férias foram declarados inconstitucionais? Para o ano passaram à história? E haverá "reembolsos"?

De onde irá sair agora este dinheiro? Das parcerias público-privadas?
Irão ser redistribuídos por todos?
Ou vão começar os saldos dos ordenados na Função Pública?
Muitas interrogações mas para já é tempo de celebração:

A propósito dos enfermeiros a 4 euros à hora...

Estou a pensar despedir a mulher-a-dias e contratar uma enfermeira. Pago um bocadinho mais do que a ARS e ainda ganho alguém que me limpa a casa enquanto me mede a tensão e analisa as minhas olheiras.
Agora a sério: no desenvolvimento das notícias sobre isto , custa um bocadinho a perceber que quem estudou mesmo tantos anos  (e num país com uma população cada vez mais idosa) ganhe tão pouco.

Custaria mais ao Estado contratar directamente estes enfermeiros em vez de recorrer a agências de "colocação" de pessoal? Agências que ganham percentagens sobre ordenados que, consequentemente, vão ficando mais baixos porque passam a pagar duas pessoas em vez de uma? Na era da Internet, não era mais fácil criar uma base de dados online, onde a oferta e a procura não dependessem destes intemediários?
Enfim. Se esta ideia se propaga a outras profissões (estou a pensar nos professores, nos médicos, nos polícias, etc.) lá vamos todos viver antes do subsídio de desemprego! (Parece que emigrar também já não é muito viável...)

Editado: esqueci-me que, afinal, os médicos também já estão na berlinda.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Responsabilização

Não me incomoda muito que as pessoas sejam responsabilizadas pelos seus actos, mas como os verdadeiros responsáveis pelo descalabro financeiro que ameaça a Europa vão passando incólumes por entre todos os pingos de chuva, chateia-me um pouco que sejam sempre os mais fragilizados que tenham de fazer os sacrifícios.

Doce imagem: aqui

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Via Crúcis

Numa última afirmação de dignidade um farmacêutico reformado, de 77 anos, suicidou-se em frente ao edifício do Parlamento em Atenas.
Para além da arma e do desespero, trazia consigo um bilhete onde deixara as razões do seu acto:
“Sou reformado. Não posso viver nestas condições. Recuso-me a procurar comida no lixo, por isso decidi pôr fim à vida”. Fonte: Público
O que torna esta história ainda mais horrível é sabermos que, como ele, há cada vez mais europeus que têm de contemplar a opção de procurar comida no lixo. Ou que, por outras paragens, há quem nem essa opção tenha.

Editado para acrescentar esta ínformação:  Depuis le début de la crise, en 2008, au moins 50 artisans et patrons de PME se sont suicidés en Vénétie, le moteur du boom économique des années 90. A notícia vem no Courrier International e devia fazer muita gente pedir desculpas publicamente por brincarem com as vidas dos outros. No minímo.

 

sábado, 10 de março de 2012

As excepções e a regra, filhos e enteados, uns e os outros, etc., etc.

A forma normal de fazer política é atirar chavões para o ar, do tipo, "os cortes e os sacrifícios são para todos."
Depois vão surgindo a conta-gotas as excepções e, no final, fica sempre a meia-dúzia do costume.
Gostava de pensar que há alguma justiça nisto mas, por mais que a procure, não a encontro em lado nenhum. Tenho de mudar de óculos, com certeza.
Imagem encontrada aqui. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mudanças colossais

A bolha estava muito cheia e rebentou. 
Vão acabar todos os subsídios (de residência, deslocação, representação e afins). Autarquias compram carros de bombeiros e mais nada: quanto aos membros das Câmaras passam a ter viatura própria se a podem pagar. Quem não pode anda a pé, que faz muito bem à saúde.
O Estado não gasta nem mais uma moedinha em despesas que não sejam absolutamente essenciais. Os pareceres vão deixar de ser necessários porque raramente o foram.O exemplo parte da rainha de Inglaterra que já anda de comboio como os outros mortais.
Via BBC News
...
1º de Abril! A imagem da rainha é da sua viagem pelas terras da Austrália! Era apenas falso alarme: continua tudo como dantes no quartel de Abrantes. A bolha rebentou, sim, mas só de um lado.
Habituámo-nos a isto (fonte).
Bruxelas quer que voltemos a isto.
Uns  

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Feliz Natal nas Caraíbas

Como os salários da função pública não são, de um modo geral, superiores aos do privado (ver com muita atenção o link e as comparações salariais) e com o reforço dos mecanismos de mobilidade na função pública e o incentivo à rescisão amigável para quem não aceite colocação sabe Deus onde, dizer que a "suspensão" dos subsídios de Natal e de Férias obedece a princípios de justiça e equidade faz tanto sentido como ir pescar gambozinos de trotinete. Mas quando se entra no domínio do delírio tudo é possível...

Imagem

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Horizonte financeiro

A manutenção da suspensão dos subsídios de Natal e Férias para a Função Pública e pensionistas irá prolongar-se até ao final da aplicação do plano de ajuste orçamental. O horizonte deste ajuste é 2013, o senhor das Finanças dixit.
Ora, o que nós já aprendemos todos é que a linha do horizonte é muito flexível...
                          
                                       Horizon Line by *Eckenheimer on deviantART

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Austeridades orçamentais

Bons tempos para os vendedores de cintos. É que de tanto serem apertados, há alguns que vão rebentar e vai ser preciso comprar cintos novos.

Por estas e por outras é que sempre achei que os optimistas eram um bocadinho perigosos. Ao contrário dos ilusionistas, há quem os leve a sério e acredite na banha da cobra que vendem. Ou, pior ainda: há quem vote neles! Os optimistas podem parecer (e até ser) boas pessoas. Mas a grande maioria vive de tal forma noutro planeta que devia mudar-se para lá. Onde quer que esse "lá" seja. E rapidamente.