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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Responsabilização

Não me incomoda muito que as pessoas sejam responsabilizadas pelos seus actos, mas como os verdadeiros responsáveis pelo descalabro financeiro que ameaça a Europa vão passando incólumes por entre todos os pingos de chuva, chateia-me um pouco que sejam sempre os mais fragilizados que tenham de fazer os sacrifícios.

Doce imagem: aqui

segunda-feira, 2 de abril de 2012

As freguesias e a racionalidade

As ruas encheram-se dos manifestantes em prol das suas freguesias. E para que lhes servem as freguesias? Uns diziam não saber, mas não queriam perder a sua freguesia; outros diziam que eram muito antigas e muito grandes (cerca de mil pessoas é muita gente? Então Lisboa devia ter umas mil freguesias, não?).
Compreende-se que pequenas vilas e localidades isoladas sintam a necessidade da sua junta como uma parcela da sua identidade e como um foco de emprego, mas o dinheiro que é gasto na bandeira, na cadeira e na secretária do senhor presidente da junta, é dinheiro que depois falta para a água dos bombeiros locais ou para as compressas do hospital mais próximo.
Parece coisa pequena e insignificante? Talvez, mas acho que ainda muita gente não percebeu que se anda mesmo a contar tostões. Mesmo que seja em cêntimos. Claro que quando se olha para os milhões do negócio do BPN e outras escandaleiras, se torna triste contar tostões mas, infelizmente, quando se tira muito dinheiro de um lado, sobre muito pouco para o outro.

Numa notícia que até tem tudo a ver, damos um salto a Jerez de la Frontera, uma zona que lembra campos agrícolas de perder de vista, gado espalhado pelo horizonte e uma produção vinícola reconhecida no país e no estrangeiro.
Em Jerez de la Frontera, no entanto, nem tudo são rosas, laranjais ou vinhas. Há também um jardim zoológico que já viu melhores dias.
A notícia do The Independent faz lembrar aquelas histórias que se lêem sobre animais abandonados nos jardins zoológicos da Líbia ou do Iraque.
Mas esta não é uma notícia de um país em guerra: é uma notícia de Jerez de la Frontera, onde as garrafinhas de xerez Tio Pepe continuam a lembrar outros tempos. É a notícia de um município falido, sem dinheiro para pagar a funcionários ou para alimentar os animais do Jardim zoológico. A manta do Estado não dá para tudo e as prioridades dos governantes raramente são as mais importantes, mesmo num país em que mais de metade dos jovens estão desempregados.
One of the unexpected attractions of the small Andalusian city of Jerez de la Frontera, or just plain Jerez' as it is popularly known, is that it boasts one of Spain's finest zoos. But it has a problem. Nobody knows how long Jerez - which has the dubious honour of being Spain’s second most indebted municipality after Madrid - can afford to feed the animals.The omens are not good. Jerez's bankrupt town hall has already run out of money to pay its municipal employees - which includes school cleaners, police and fire services, health workers, even grave diggers - with any degree of regularity. It can’t pay for spare parts for the town’s buses and police cars, let alone the electricity bills. And there are fears that the animals’ food could be next. The Independent
Cortar nas inúmeras freguesias parece-me uma excelente medida. Também gostava que se cortasse no despesismo das PPPs, da Assembleia e dos gestores públicos, entre outras coisas. Mas entre cortar nas escolas, nos hospitais ou nos bombeiros, prefiro que se corte em freguesias, autarquias ou forças armadas. É o menor dos males e os que menos necessários são à generalidade dos portugueses.

domingo, 18 de março de 2012

Importam-se de repetir?

Primeiro vem o colapso financeiro.

Top-Investor warnt vor Finanzkollaps in Portugal

Depois o tsunami demográfico.

Portugal está à beira de um 'tsunami' demográfico

Mais dia, menos dia estão a anunciar os gafanhotos.

Este 2012 está a ser um bocado complicado.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Migrações

A propósito da tão falada questão da emigração dos professores (que, afinal, o Brasil e Angola não querem por aí além), há outras sugestões por essa Europa fora. Por exemplo, esta sugestão de que a Austrália é um mercado de portas abertas (pena é o racismo que se sente por lá...).
O The Guardian, por seu turno, faz uma abordagem similar e menciona as rotas de destino dos Europeus de cinto apertado:
Tens of thousands of Portuguese, Greek and Irish people have left their homelands this year, many heading for the southern hemisphere. Anecdotal evidence points to the same happening in Spain and Italy.The Guardian has spoken to dozens of Europeans who have left, or are planning to leave. Their stories highlight surprising new migration routes – from Lisbon to Luanda, Dublin to Perth, Barcelona to Buenos Aires – as well as more traditional migration patterns.This year, 2,500 Greek citizens have moved to Australia and another 40,000 have "expressed interest" in moving south. Ireland's central statistics office has projected that 50,000 people will have left the republic by the end of the year, many for Australia and the US.

É uma sensação de déjà vu sem precedentes...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

The final countdown?

Por mais surreal que pareça, assistimos todos os dias ao estrebuchar da zona Euro. Como diz Sir Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra, já não falamos de uma crise de liquidez mas de insolvência.
Começou a contagem decrescente para o eventual fim do Euro, com a data decisiva a cair sobre dia 9 de Dezembro, o dia de mais uma cimeira europeia.


O que fazer? Quem sabe?

(Fontes das imagens: 1 e 2)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Renault

O novo carrinho da Renault destina-se aos mercados dos países pobrezinhos. Resta saber se será vendido apenas nos países periféricos da zona euro ou se também irá ser comercializado nos países a braços com a crise do banco Dexia (Bélgica e França) ou que não encontram muitos compradores quando vão aos mercados (como a Alemanha)...
Será semelhante a este, resultado da sua parceria com a Nissan e comercializado na India?
 Ou será mais deste tipo?
Fonte das imagens: 1 e 2

domingo, 23 de outubro de 2011

Tenho andado a pensar como é que "isto" se consegue:
O deputado social-democrata Pedro Saraiva diz que é urgente adoptar como alternativa "a visão da águia, a energia de um dragão, a força do leão e a postura briosa da formiga" para responder ao que aí vem. Fonte
E cheguei a isto. 
 Quimera, Fonte Saint-Michel, Paris. Via Wikipedia.

Com ou sem os referidos sapatitos fantásticos da Victoria Spruce nas duas patitas, podemos contar que, em 2051, quando acabarmos de pagar as PPP, lá teremos este aspecto. Não sei é se é uma mudança para melhor...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Questões de língua ou de tento na dita

Com os cortes que para aí vêm, prevê-se um saudável aumento do vernáculo.
Este blogue irá tentar continuar a ser, dolorosamente, bem educado. Mas não prometo nada.
Swearing after injury may be good for your health, new research suggests. Scientists from Keele University found that letting forth a volley of foul language can have a "pain-lessening effect".
To test the theory, students put their hands in ice-cold water while swearing. They then did the exercise again while repeating a harmless phrase. Researchers found that volunteers were able to keep their hands in the water for longer when repeating the swear word, establishing a link between swearing and an increase in pain tolerance.
The team believes the pain-lessening effect occurs because swearing triggers the "fight or flight" response.
Texto: aqui   Imagem: aqui

segunda-feira, 14 de março de 2011

Manifestos

Não sou a favor do facilitismo e choca-me que se continue a viver acima das possibilidades mas recuso-me a seguir as linhas ideológicas de quem defende que os jovens (e não só) terão de se habituar a uma realidade bem pior do que as gerações anteriores. O futuro não se afigura fácil, mas isso não quer dizer que consideremos que a resignação ou o retrocesso às condições laborais do século XIX sejam os caminhos a seguir. É verdade que na Europa e nos EUA nos habituámos a comprar barato porque há pessoas a trabalhar em condições miseráveis na China, na Índia, em Marrocos, entre outros. Mas se esses países estão a atravessar uma espécie de Revolução Industrial tardia, a esperança é que venham a adquirir, o mais cedo possível, os direitos que por aqui temos e vamos defendendo.
Devia ser esse o caminho a trilhar e não o inverso, apesar das vontades corporativas das multinacionais, da Banca, do Ministro das Finanças ou da "Assembleia de Sábios" do outro partido, com o seu livro de orientações para o futuro.
Não há menos dinheiro; o que há é uma péssima gestão e distribuição do mesmo. O Estado deve dar, com condições satisfatórias, o que é essencial, como a Educação, a Justiça e a Saúde. Tudo o que é supérfluo, redundante ou megalómano pertence ao reino do privado. No privado, um empresário de sucesso deve ser inovador e empreendedor. Ser um empresário de sucesso às custas de ajudas do Estado e do trabalho pouco ou nada remunerado (estágios) é uma vergonha.
E é por isso que o país saiu à rua e exigiu transparência, limpeza, trabalho e honestidade. Nem mais, nem menos. E tem toda a razão.
Alguns ecos lá de fora e de cá de dentro. Fotos do Sr. A. (Obrigada)
   

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pois...

"The European Central Bank (ECB) has stepped in to the financial markets to buy Portuguese bonds on Thursday amid growing fears that the eurozone's rolling crisis is about to claim its third victim.
Policymakers in Frankfurt intervened for the first time in three weeks as borrowing costs on Portugal's debt remained at a level that proved to be unsustainable for both Greece and Ireland." Fonte
Como vivemos num país faz-de-conta, até aposto que alguém vai dizer que isto são boas notícias e que estamos a ter muita saída no mercado...
                                                                                                      Fonte

sábado, 27 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Viver das aparências

Neste país às avessas, onde continua a ser mais importante parecer do que ser, o Hospital de São João mostra-nos o caminho.
Comparando um exemplo recente dos modelos do costureiro (que até não destoariam num hospital) e o charme de Edie Falco em Nurse Jackie, confesso que prefiro o segundo. Será que ficaria mais baratito?

 Tirado daqui 

Olhando para o lado positivo (?), esta medida até pode ajudar os enfermeiros que terão de poupar no guarda-roupa para o ano que vem e que, assim, poderão aproveitar a fatiota do trabalho para uma saída à noite ou ao fim-de-semana. Já que, segundo o Governo, não são tão importantes quanto os funcionários da CGD, da Assembleia da República e outras eventuais excepções aos cortes salariais que aí vêm,  pelo menos sempre terão uma peça de marca no roupeiro. 
Um grande bem-haja à Administração do São João. Espero que não se esqueça de arranjar uns Louboutins para acompanhar as fardas. É que o acessório e o sapato fazem a roupa. Sugiro estes, da colecção de 2011, em tons nude e que parecem apropriados a um hospital. Os primeiros ficam por $695 dólares; os segundos por $635. Peanuts.

sábado, 9 de outubro de 2010

Post ecológico e cheio de preocupações ambientais

Pois é. Desde que o ácer sobreviva, tudo bem. Até porque nunca achei muita graça à árvore das patacas.


Tirado daqui. Um sítio sempre cheio de bom humor.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais tempos difíceis para a cultura

«Le Magazine Littéraire» et «la Recherche» sont à vendre 
L'excellent «Magazine Littéraire» est à vendre avec les 3 autres mensuels «l'Histoire», «Historia» et «La Recherche». Plusieurs tables rondes se sont tenues ces derniers jours pour peaufiner des négociations en cours depuis l'été entre le propriétaire des quatre titres - à savoir Artémis, holding du groupe - et un éventuel repreneur dont le nom est tenu secret. (…)
Deux raisons pourraient expliquer cette transaction en cours : la tourmente dans laquelle se trouve désormais l'ensemble du secteur de la presse écrite (baisse des revenus de la publicité, baisse du lectorat), mais aussi le moindre intérêt manifesté par François-Henri Pinault, devenu PDG d'Artémis en 2005, pour les journaux.
Ora, quem é Pinault? Este senhor.

O multimilionário francês que gere, entre outras coisas, o futuro da Fnac, La Redoute e do grupo Gucci.
O que preferem os franceses? Comprar uma mala castanha com um conjunto de letras que dizem sempre o mesmo, ou uma revista multicolorida que diz muitas coisas diferentes?
A resposta é fácil e revistas como l'Histoire ou Le Magazine Littéraire podem vir a ter um triste fado.
Percebe-se, pois, por que razão a Ministra da Cultura fala da eventual falência do Estado social. É que a cultura, como sempre em tempo de crise, já há algum tempo que foi atirada borda fora. O Estado Social será a próxima vítima (Ministra admite colapso do Estado social).