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domingo, 17 de junho de 2012

O Dia D para o Euro?

Coisas que se vão vendo e lendo sobre as eleições na Grécia.

Uma carta aos "Caros Gregos", publicada no alemão Bild. Que não é a altura para cometerem erros, dizem os alemães. Ou seja, votem com juizinho ou acaba-se o dinheirinho. Só espero que os Gregos expliquem aos alemães, com todas as letras, o significado da palavra Democracia. Algo que, afinal, os alemães nem sempre perceberam.


Por falar em memórias alemãs, esta imagem dos boletins de voto na Grécia é absolutamente espantosa (tenebrosa?): lado a lado os boletins do partido neonazi Aurora Dourada e do partido comunista grego. Ok, a Democracia também é isto, mas arrepia um bocadinho...
Fonte das imagens: Business Insider

domingo, 11 de dezembro de 2011

Eurocépticos e o futuro

É curioso verificar como muitos portugueses se regozijam com a recusa britânica em aceitar o acordo de 6ª, na "Cimeira das Cimeiras" para salvar o Euro. A posição de David Cameron é vista como um acto de independência e de soberania nacional e como uma posição de resistência perante o eixo franco-alemão. Mas aquilo que é difícil de entender é a defesa dos privilégios britânicos, em nome de uma "City", onde o Capital é o único valor que reina, e de um país para quem os off-shores (da Ilha de Man a Gibraltar) continuam a ser um assunto intocável.
A recusa de Cameron à ideia de uma "Europa federada" enquadra-se nessa mentalidade insular e meia-cega que recorda a Segunda Guerra Mundial como o momento em que uma Inglaterra, sozinha e com a liderança de Churchill, se salvou, salvou a Europa e salvou o Mundo. Claro que, neste quadro  glorificado, os americanos foram uma vírgula insignificante e o Exército Vermelho nunca existiu. Teriam os ingleses resistido se a Alemanha não se tivesse virado para Leste e encontrado a resistência russa? Ninguém sabe. Mas a narrativa dificilmente teria sido a mesma.
Com todos os defeitos que tem, a Europa que se constituiu após a Guerra e a partir do eixo franco-alemão trouxe uma paz e um bem-estar generalizados e inauditos. Há países a viver em estado de "riqueza" emprestada? Claro. Há muitos portugueses, espanhóis, irlandeses a viverem acima das suas possibilidades e há muito crédito mal-parado? Sem dúvida. Mas esse não é um problema decorrente da política da União Europeia mas sim do sistema financeiro - o mercado, aliás, começou por rebentar nos Estados Unidos, devido à "bolha imobiliária".
A recusa inglesa é, também, vítima de um complexo de inferioridade, de um ex-Império que, de Blair a Cameron, se chega crescentemente aos Estados Unidos para tentar manter um ar de relevância mundial.
Cameron, teoricamente, defendeu os interesses da "City" e o orgulho do Império. Não percebo por que razão havemos de ficar satisfeitos com isso. O "orgulhosamente sós" sempre me pareceu um conceito francamente estúpido. 
Michael Heseltine, que de parvo não tem nada, aponta alguns dos erros desta decisão britânica que, como afirma, terá o apoio popular (como se pode ver pela posição de George Osborne no mesmo artigo). E esse é um dos grandes problemas dos políticos europeus (e não só): o populismo. Nesse aspecto, Cameron  em nada é diferente de Merkel, de Sarkozy ou do deposto Berlusconi.
The former Tory cabinet minister Lord Heseltine has warned Eurosceptics that the UK could not protect its interests by "floating off into the Atlantic" and cutting itself from Europe.
Heseltine, who is one of the Conservative party's strongest Europhiles, backed David Cameron's controversial use of the veto, saying the prime minister had no choice because he would not have been able to get the proposal for treaty changes through parliament. "The politics made it impossible", Heseltine said.
But he warned: "In saying he wanted to protect the interests of the City, there is no way you can protect those interests by floating off into the Atlantic, frankly."
Heseltine told BBC Radio 4's Today programme there would have to be a discussion now about the City's relationship with the eurozone.
Asked whether Britain would inevitably have to leave the EU, he said: "The issue is not what the people accept today, it's what they will accept when they perceive the potential damage to hundreds of thousands of British jobs and tax revenues."
Eurosceptics are delighted with what they see as Cameron's "bulldog" stance against Europe but he is also facing criticism because he did not come away from negotiations with any guarantees over the banking sector he was seeking to protect by using Britain's veto. The Guardian

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

The final countdown?

Por mais surreal que pareça, assistimos todos os dias ao estrebuchar da zona Euro. Como diz Sir Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra, já não falamos de uma crise de liquidez mas de insolvência.
Começou a contagem decrescente para o eventual fim do Euro, com a data decisiva a cair sobre dia 9 de Dezembro, o dia de mais uma cimeira europeia.


O que fazer? Quem sabe?

(Fontes das imagens: 1 e 2)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Depois da Efta e do Benelux, da CEE, da CE e da UE vem a...

Podemos ficar só com os PHIIGS? É que se a Alemanha, a França e a Bélgica se juntam à crise, a coisa torna-se impronunciável. Passávamos a ser o quê? PHIIGGBFS?
Se mais países apresentarem síndrome de pré-colapso, a única resposta possível é chamá-los por um nome mais abrangente, que ignore as siglas de cada um.
Assim tipo... União Europeia?

Imagem encontrada aqui.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Are we or aren't we?

Are we leaving the Euro? Is the Euro telling us to go? Do we know who we are? Does anyone have a clue? What did the Troika say? Who or what is the Troika? Where are we? What about the Greeks? Shall they inherit the Earth (mandatory Monty Python reference...)?

Maybe Foucault was right when he defined madness as "the equinox between the vanity of night's hallucinations and the non-being of light's judgements."
(Michel Foucault, Madness and Civilization, London and New York, Routledge, 2001, p. 105.)


The Maenads killing king Pentheus, House of the Vettii, Pompeii.
Image found here.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Neologismos e expressões da moda

Uma cimeira / um pacote Merkozy.
Os Indignados (com maiúscula).
Okupar / Okupas (as ruas e não edifícios).
A Grécia é o calcanhar de Aquiles.
Riscos sistémicos (quando se fala de bancos).
Salvar a Banca (e não um ou outro Banco - o que está na moda é a generalização).
É necessária uma alavancagem (e não tem nada a ver com carros ou elevadores).
O risco de entrar em default (aplica-se a países).


Ele é o acordo, eles são os neologismos... cada vez é mais difícil falar Português.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O mundo é mesmo um mercado global

quando, numa 6ª-feira à noite, as notícias de última hora pela Europa fora são sobre o resultado de uma moção de confiança no Parlamento grego e as notícias desse mesmo dia à tarde põem Dilma Rousseff a dizer que se a Europa não quer pôr dinheiro no pote para se salvar, por que razão há-de o Brasil fazê-lo?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O ciclo da vida

A Grécia, berço da Europa, a caminho de se tornar o seu túmulo? Fonte da imagem.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pois...

"The European Central Bank (ECB) has stepped in to the financial markets to buy Portuguese bonds on Thursday amid growing fears that the eurozone's rolling crisis is about to claim its third victim.
Policymakers in Frankfurt intervened for the first time in three weeks as borrowing costs on Portugal's debt remained at a level that proved to be unsustainable for both Greece and Ireland." Fonte
Como vivemos num país faz-de-conta, até aposto que alguém vai dizer que isto são boas notícias e que estamos a ter muita saída no mercado...
                                                                                                      Fonte

domingo, 2 de maio de 2010

Diálogo Interartes: quando May Swenson encontra Giacometti

"The Tall Figures of Giacometti"

May Swenson

We move by means of our mud bumps.
We bubble as do the dead but more slowly.

The products of excruciating purges
We are squeezed out thin hard and dry.

If we exude a stench it is petrified sainthood.
Our feet are large crude fused together

solid like anvils. Ugly as truth is ugly
we are meant to stand upright a long time


and shudder without motion
under the scintillating pins of light

that dart between our bodies
of pimpled mud and your eyes.


Alberto Giacometti, City Square

Enquanto May Swenson apresenta um "afastamento" nas figuras no poema, ligadas involutariamente entre si, Giacometti mostra o impulso do movimento e um sentido de direccionalidade, ainda que indefinido, das figuras masculinas.

Mas pensando na presente crise europeia, poema e escultura traçam um bom retrato de uma sociedade onde "we are squeezed out thin hard and dry"...