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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Um banco de jardim em cada esquina

Para tornar mais pausada a vida citadina, devíamos poder ter um banco de jardim em cada esquina, em cada casa e em cada quarto.
Ou deixarmo-nos seduzir por esta proposta do artista holandês Berndnaut Smilde. Se precisarmos de uma nuvem para tapar o Sol, também se arranja. Basta seguir o link para perceber como.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Relatividade cultural

Todas as culturas são importantes, todas têm valor, etc., etc.
Mas... há momentos particulares da História (e esses momentos podem ser muito longos) em que certas culturas e certos povos se chegam à frente e decidem ser brilhantes. Por uns milénios, e para mim, essa honra coube aos Egípcios. Da arquitectura imponente à peça decorativa mínima, esforçaram-se por tornar o espaço em que viviam um espelho do seu poder, uma forma de adoração dos seus deuses ou, simplesmente, mais agradável ao olhar.
Duas pequenas peças que me deleitam e das quais não me importava de ter umas réplicas baratas...
Esta, representando Kaitep e a sua mulher, datada de cerca de 2300 a.C. O casal, que posa para uma "fotografia" "tirada" há mais de 4 milénios, mostra o abraço da mulher e a frontalidade do marido, como se os víssemos perante os nossos olhos.
(Foto tirada este ano no British Museum, Londres).
E esta, que já não via há algum tempo, de cerca de 1850 a 1775 a.C. e que reencontrei aqui.

O colar está exposto no Met, em Nova Iorque e, olhando para o seu fecho, percebe-se a atenção ao detalhe, bem como a importância da exposição do corpo na antiga cultura egípcia. Embora já tenha ultrapassado a minha obsessão pelas representações de Hórus, continuo a manter uma admiração especial por esta peça.
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Já agora, também não me importava de ter este:

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Convite

Para um fim de tarde bem passado, apreciando boa arte e boa companhia, podem dirigir-se ao Observatório Astronómico de Lisboa, ali pela Tapada da Ajuda, no dia 29 de Setembro, às 18 horas.
Prometo que não vão ficar desapontados.

sábado, 3 de setembro de 2011

A arte da tatuagem

Sylvia Plath, "The Fifteen-Dollar Eagle"

"There are other tattoo shops in Madigan Square, but none of them a patch on Carmey's place. He's a real poet with the needle and dye, an artist with a heart. Kids, dock bums, the out-of-town couples in for a beer put on the brakes in front of Carmey's, nose-to-the-window, one and all. You got a dream, Carmey says, without saying a word, you got a rose on the heart, an eagle in the muscle, you got the sweet Jesus himself, so come in to me. Wear your heart on your skin in this life, I'm the man can give you a deal. Dogs, wolves, horses and lions for the animal lover. For the ladies, butterflies, birds of paradise, baby heads smiling or in tears, take your choice. (...) If you've got a back to spare, there's Christ on the cross, a thief at either elbow and angels overhead to right and left holding up a scroll with  "Mount Calvary" on it in Old English script close as yellow can get to gold."


Em "The Fifteen-Dollar Eagle", o leitor vê-se obrigado a fechar frequentemente os olhos, imaginando cada um dos corpos tatuados a partir da descrição detalhada de Plath. Mas se Sinbad, as borboletas que esvoaçam com o andar ou o Cristo no Calvário parecem desafiar a imaginação, as tatuagens que se seguem mostram como as imagens da short story não são impossíveis.
Aqui encontra mais exemplos de como a arte da tatuagem pode fazer do corpo uma tela sem qualquer tipo de aspas. Consegue identificar os quadros que as inspiraram?


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Desperte o Picasso que há em si

Imagine-se aqueles artistas de café, que desenham em guardanapos, com uma caneta destas na mão.
Ou aquelas reuniões intermináveis em que a única forma de se manter a sanidade é ir rabiscando os papéis que tem à frente... 

Esta "caneta" da Wacom pode vir a ser um brinquedo engraçado ou uma ferramenta útil para os artistas (sem aspas). E no anúncio até parece fácil.

            
Encontrado aqui.

sábado, 27 de agosto de 2011

Quadros sem rosto também são retratos?

Olho para o que alguém olha. Ou estará de olhos fechados? Em quantos planos se desdobra a imagem?
A fotografia de Elina Brotherus, na série "The Artist and Her Model".



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Retratos

O fascínio pelo retrato: 
histórias emolduradas e vidas suspensas.

Elina Brotherus, "Portrait of a Couple", 2007.

Jan van Eyck, Retrato dos Arnolfini (1434) e o detalhe do quadro dentro do quadro.

(Post pré-programado para publicação a 25 de Agosto)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Regresso ao passado

Em vez de entrar em 2011, decidi regressar ao passado. Mais propriamente ao século XVI, fonte de inspiração para estas fotografias perfeitas. Fotografias? Sim, fotografias porque o olhar não engana. Mas quase que nos ilude, tal o jogo de luzes e sombras, a distribuição da cor e a composição do retrato.

Ultimamente tenho desenvolvido uma particular obsessão pela reconstrução visual do rosto e do corpo modernos a partir de imagéticas ou quadros temporais e culturais precisos. Já referi neste blogue o trabalho de Kehinde Wiley, Cindy Sherman ou, num registo diferente, de Loretta Lux e a série Mad Men.

Christian Tagliavini (descoberto, por acaso, aqui) é o autor destas enigmáticas criações. Estas quatro fotografias pertencem à série intitulada 1503 (e datam de 2010). A série das Dame di Cartone (2008) também é, no mínimo, desconcertante.




Fonte e todo o crédito vai para Christian Tagliavini

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Arte e visão

Olhar para o mar e exigir um retrato ou esperar que a visão onírica oriente a pintura? 

I dream of painting and then I paint my dream. (Vincent Van Gogh)

O mar visto a partir de Scheveningen pode ter outras cores, outros ventos e outros visitantes. Mas este é o mar a partir de Scheveningen que Van Gogh viu ou sonhou. E é belíssimo.
Vincent Van Gogh, View of the Sea at Scheveningen (1882)

domingo, 2 de maio de 2010

Diálogo Interartes: quando May Swenson encontra Giacometti

"The Tall Figures of Giacometti"

May Swenson

We move by means of our mud bumps.
We bubble as do the dead but more slowly.

The products of excruciating purges
We are squeezed out thin hard and dry.

If we exude a stench it is petrified sainthood.
Our feet are large crude fused together

solid like anvils. Ugly as truth is ugly
we are meant to stand upright a long time


and shudder without motion
under the scintillating pins of light

that dart between our bodies
of pimpled mud and your eyes.


Alberto Giacometti, City Square

Enquanto May Swenson apresenta um "afastamento" nas figuras no poema, ligadas involutariamente entre si, Giacometti mostra o impulso do movimento e um sentido de direccionalidade, ainda que indefinido, das figuras masculinas.

Mas pensando na presente crise europeia, poema e escultura traçam um bom retrato de uma sociedade onde "we are squeezed out thin hard and dry"...