As ruas encheram-se dos manifestantes em prol das suas freguesias. E para que lhes servem as freguesias? Uns diziam não saber, mas não queriam perder a sua freguesia; outros diziam que eram muito antigas e muito grandes (cerca de mil pessoas é muita gente? Então Lisboa devia ter umas mil freguesias, não?).
Compreende-se que pequenas vilas e localidades isoladas sintam a necessidade da sua junta como uma parcela da sua identidade e como um foco de emprego, mas o dinheiro que é gasto na bandeira, na cadeira e na secretária do senhor presidente da junta, é dinheiro que depois falta para a água dos bombeiros locais ou para as compressas do hospital mais próximo.
Parece coisa pequena e insignificante? Talvez, mas acho que ainda muita gente não percebeu que se anda mesmo a contar tostões. Mesmo que seja em cêntimos. Claro que quando se olha para os milhões do negócio do BPN e outras escandaleiras, se torna triste contar tostões mas, infelizmente, quando se tira muito dinheiro de um lado, sobre muito pouco para o outro.
Numa notícia que até tem tudo a ver, damos um salto a Jerez de la Frontera, uma zona que lembra campos agrícolas de perder de vista, gado espalhado pelo horizonte e uma produção vinícola reconhecida no país e no estrangeiro.
Em Jerez de la Frontera, no entanto, nem tudo são rosas, laranjais ou vinhas. Há também um jardim zoológico que já viu melhores dias.
A notícia do The Independent faz lembrar aquelas histórias que se lêem sobre animais abandonados nos jardins zoológicos da Líbia ou do Iraque.
Mas esta não é uma notícia de um país em guerra: é uma notícia de Jerez de la Frontera, onde as garrafinhas de xerez Tio Pepe continuam a lembrar outros tempos. É a notícia de um município falido, sem dinheiro para pagar a funcionários ou para alimentar os animais do Jardim zoológico. A manta do Estado não dá para tudo e as prioridades dos governantes raramente são as mais importantes, mesmo num país em que mais de metade dos jovens estão desempregados.
One of the unexpected attractions of the small Andalusian city of Jerez de la Frontera, or just plain Jerez' as it is popularly known, is that it boasts one of Spain's finest zoos. But it has a problem. Nobody knows how long Jerez - which has the dubious honour of being Spain’s second most indebted municipality after Madrid - can afford to feed the animals.The omens are not good. Jerez's bankrupt town hall has already run out of money to pay its municipal employees - which includes school cleaners, police and fire services, health workers, even grave diggers - with any degree of regularity. It can’t pay for spare parts for the town’s buses and police cars, let alone the electricity bills. And there are fears that the animals’ food could be next. The Independent
Cortar nas inúmeras freguesias parece-me uma excelente medida. Também gostava que se cortasse no despesismo das PPPs, da Assembleia e dos gestores públicos, entre outras coisas. Mas entre cortar nas escolas, nos hospitais ou nos bombeiros, prefiro que se corte em freguesias, autarquias ou forças armadas. É o menor dos males e os que menos necessários são à generalidade dos portugueses.
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