Mostrar mensagens com a etiqueta Desumanidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desumanidade. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O fio condutor

Este estudo, que revela que a riqueza reduz a nossa capacidade de criar empatia e sentir compaixão pelos outros, não tem nada a ver com as notícias avulsas que se seguem. Pois. São apenas coincidências.  
  • Grande Prémio do Bahrein realizou-se apesar dos protestos e da morte de um manifestante (The Guardian)
  • Paquete de luxo ignora um barco de pesca em apuros (The Huffington Post)
  • Minoria republicana veta imposto sobre os "super-ricos" (The Huffington Post)
  • Tribo na Amazónia ameaçada de extinção por causa dos interesses madeireiros (The Guardian)
                    

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Via Crúcis

Numa última afirmação de dignidade um farmacêutico reformado, de 77 anos, suicidou-se em frente ao edifício do Parlamento em Atenas.
Para além da arma e do desespero, trazia consigo um bilhete onde deixara as razões do seu acto:
“Sou reformado. Não posso viver nestas condições. Recuso-me a procurar comida no lixo, por isso decidi pôr fim à vida”. Fonte: Público
O que torna esta história ainda mais horrível é sabermos que, como ele, há cada vez mais europeus que têm de contemplar a opção de procurar comida no lixo. Ou que, por outras paragens, há quem nem essa opção tenha.

Editado para acrescentar esta ínformação:  Depuis le début de la crise, en 2008, au moins 50 artisans et patrons de PME se sont suicidés en Vénétie, le moteur du boom économique des années 90. A notícia vem no Courrier International e devia fazer muita gente pedir desculpas publicamente por brincarem com as vidas dos outros. No minímo.

 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A propósito de Mussolini, Khadafi ou meros soldados e civis

Roger Caillois, num texto velhinho, afirmou o seguinte a propósito da guerra:
"A mesma lei que exige ao combatente o sacrifício da sua vida ordena-lhe que imole o seu adversário. As regras da guerra tentam em vão torná-la um jogo nobre, uma espécie de duelo onde a violência é limitada pela lealdade e pela cortesia. Mas o essencial continua a ser massacrar. (...)
O homem encontra-se de novo liberto das interdições que o costume e a educação lhe impõem. Já não se inclina diante da morte nem a venera, dissimulando ao mesmo tempo a sua horrível realidade tanto à vista como ao pensamento. Agora ela está ali sem ornamento, sem algo que a enfeite ou a proteja. É a hora em que se pode impunemente saquear e emporcalhar esse objecto de alta reverência, os restos mortais do homem." Roger Caillois, O Homem e o Sagrado, edições 70, 1988. pp. 166-167.

Não vejo nem um miligrama de justiça na forma como se tratam os ditadores caídos porque não esqueço que este é o tratamento dado a muitos anónimos capturados nos campos de batalha. Só que não assistimos, nos noticiários, aos suplícios das mulheres, das crianças, de qualquer um que é apanhado por um inimigo "liberto das interdições que o costume e a educação lhe impõem." Mas só pode ser sempre horrível e assustador.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O horror do desumano

Hesitei longamente em postar sobre esta história. Mas, às vezes, os contrastes fazem-nos pensar. Sempre admirei as pessoas que se arriscam por outras ou pelos animais, como os que salvaram o pinguim do post anterior. Mas, infelizmente, também há os outros. Já há algum tempo tinha passado pelos diversos canais o vídeo de uma pessoa caída em Itália, numa estação de comboios, enquanto os passantes... passavam ao lado.
No entanto, no que respeita a desumanidade, conseguimos ir sempre mais longe. Na China, uma criança é atropelada por um camião. O camião continua o seu caminho (é um bocadinho pior, mas não quero relatar). Os transeuntes e automobilistas prosseguem também os seus caminhos. Após sete minutos a esvair-se em sangue, é finalmente ajudada por uma senhora que anda a apanhar lixo. O tipo de pessoa que, se calhar, também muitos evitam.
O vídeo teve milhões de visitas no YouTube chinês. A criança, aparentemente, está em coma num hospital.
Dizem os que pretendem explicar o inexplicável que, na China, se tornou corrente processar quem ajuda, alegando lesões decorrentes desse auxílio porque se pode ganhar uma indemnização jeitosa em tribunal.
Por isso, a mulher que ajudou a criança foi aconselhada pelos lojistas, a quem foi pedir auxílio, a meter-se na sua vida. Ter uma criança desconhecida, com dois anos de idade, a morrer nos braços e ouvir dizer uma coisa destas parece algo saído de um filme de terror, de absoluta alienação ou de outra coisa qualquer impronunciável. Mas depois lembramo-nos dos genocídios e das guerras e de todas as monstruosidades que conseguimos fazer e já se percebe como isto é possível.
A criança chama-se Yueyue e a história toda está no jornal The Guardian. Para estômagos fortes.
É por tudo isto que os animais são, frequentemente, muito melhores do que nós.