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sábado, 22 de outubro de 2011

Húbris e Obsessão

The fear-stricken sailores raised a shout, and ran to the ropes. But seizing the flaming harpoon, Ahab waved it among them. "You all swore to hunt the white whale. You are bound as fast as Ahab! And I am bound, heart, soul, body, lungs and life. To show you how this heart beats, look here - I blow out this last fear!" And with one breath he put out the flame. Herman Melville, Moby Dick.

Ainda a pensar no que leva alguns a acreditar no seu poder desmedido...
Imagem 1 & 2.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A propósito de Mussolini, Khadafi ou meros soldados e civis

Roger Caillois, num texto velhinho, afirmou o seguinte a propósito da guerra:
"A mesma lei que exige ao combatente o sacrifício da sua vida ordena-lhe que imole o seu adversário. As regras da guerra tentam em vão torná-la um jogo nobre, uma espécie de duelo onde a violência é limitada pela lealdade e pela cortesia. Mas o essencial continua a ser massacrar. (...)
O homem encontra-se de novo liberto das interdições que o costume e a educação lhe impõem. Já não se inclina diante da morte nem a venera, dissimulando ao mesmo tempo a sua horrível realidade tanto à vista como ao pensamento. Agora ela está ali sem ornamento, sem algo que a enfeite ou a proteja. É a hora em que se pode impunemente saquear e emporcalhar esse objecto de alta reverência, os restos mortais do homem." Roger Caillois, O Homem e o Sagrado, edições 70, 1988. pp. 166-167.

Não vejo nem um miligrama de justiça na forma como se tratam os ditadores caídos porque não esqueço que este é o tratamento dado a muitos anónimos capturados nos campos de batalha. Só que não assistimos, nos noticiários, aos suplícios das mulheres, das crianças, de qualquer um que é apanhado por um inimigo "liberto das interdições que o costume e a educação lhe impõem." Mas só pode ser sempre horrível e assustador.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Money can't buy you class

Não há palavras. A sério.


Fonte

(Questão sincera: aquele toque de tecido vermelhusco já fazia parte da decoração ou foi algum toque de pudor patético para a fotografia?)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Primavera está aí (um bocadinho a Sul)

A primavera está a chegar cada vez mais cedo ao mundo árabe. Se nem tudo acabar bem, pelo menos percebeu-se que não é possível conter todas as pessoas num aquário sem liberdade, mesmo se ele for dourado como no Bahrein ou prateado, como na Líbia.
Se o futuro gera dúvidas, o presente apenas confirma o que se sabe sobre a Realpolitik: não interessa como é que se governa um país, desde que se possa fazer um negócio vantajoso.
É por isso que um dos regimes mais intransigentes, intolerantes e perigosos está sossegadinho (ou já não tanto) no seu reino das arábias. Enquanto a casa Saud continuar a portar-se bem nos negócios, o que fazem às mulheres, às minorias religiosas, aos emigrantes e às vozes contestatárias é absolutamente irrelevante. Negócio é negócio e conhaque é conhaque.
Assim, não espanta a miríade de fotos disponíveis na Net em que o coronel líbio (que, a esta hora, ainda está no poder em Tripoli) aparece acompanhado de figuras da política. Umas com peso real, como Obama, outras que desgovernam um pequeno país e andam pelo mundo fora a vender Magalhães.
É a velha história: a liberdade e a democracia são muito bonitas desde que sejam para nós. Nos outros, só interessam se não saírem caras. É mais ou menos isto que quem andou a apertar a mão ao coronel usa agora como desculpa. Uma tristeza!

Fonte das imagens: 1 2