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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um argumento diferente a favor de uma Internet livre

O argumento científico. Pois é. Imagine-se um espaço creditado - uma wikipédia científica - em que os investigadores publicariam os seus papers e teses. Imagine-se o acesso livre a esses documentos, em tempo real e imediato. Imagine-se dois investigadores (um na Coreia do Sul, outro em Itália) a publicarem no mesmo dia os seus artigos sobre a doença de Parkinson e a descobrirem, horas depois, que alguém, do outro lado do mundo, tinha chegado a conclusões semelhantes indo por caminhos diferentes, completando-se, assim, partes de um puzzle comum.  

Há muito tempo que penso nisto e percebo que há muitas críticas possíveis - desde o desejo dos investigadores de ganharem direito com a publicação dos seus artigos à sua obrigação perante as entidades que os patrocinam.

Mas este texto How Traditional Publishing Hurts Scientific Progress de Michael Eisen fez-me relembrar que há mais vantagens do que desvantagens na publicação livre de artigos científicos e que é uma pena que o valor monetário se imponha sempre como o argumento final em qualquer discussão.
Fonte da imagem: Wikipedia

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Aaaahhhhh!

Como é que dizia o outro? Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma? Ora pois, Sr. Lavoisier, mais uma vez estava coberto de razão.

Os smileys nos tempos das tipografias:


Encontrado aqui :)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Liberdade = Privacidade

Em França, os políticos perceberam que as populações já não são tão facilmente controláveis como antes e que as medidas impopulares fazem mossa. Como a lei Hadopi, tão elogiada e defendida por Sarkozy antes da campanha eleitoral e que agora, com as sondagens a não serem muito amigas, a ser denunciada por todos os candidatos como uma lei a abater.

Pelos comentários que se vão lendo na página do The Guardian, se for para a frente com esta proposta o governo arrisca-se a dar um tiro no pé. Daqueles mesmo muito desajeitados e que fazem estragos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Parabéns à Wikipedia

por defender a liberdade de expressão e do acesso ao conhecimento.
(Imagem da página da Wikipedia hoje, em protesto contra as propostas do Congresso norte-americano que podem fazer desaparecer a Internet que conhecemos)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Trancas à porta...

Isto é errado e é um crime. Mas é também tão francamente irónico!
Thousands of customers of a leading US security company are due to be given specialised identity theft protection after computer hackers linked to the Anonymous group claimed to have diverted more than $500,000 from their private bank accounts to charities including the Red Cross, CARE and Save the Children. (...)
The company's chief executive, George Friedman, has told clients, which include several US government departments, foreign embassies, Interpol, the US army and the United Nations, that by Wednesday they will have received "identity theft protection and monitoring".
In the meantime, he urged them to regularly check their accounts and credit reports and issued his "sincerest apologies" for the security breach, which makes it possible for anyone with access to the internet to download thousands of credit card account details, complete with security codes, in less than a minute. Fonte: The Guardian (acrescentados os sublinhados e o negrito)

O Público acrescenta mais informação sobre este assunto e os seus autores.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A liberdade ao alcance dos dedos

Mais um artigo apelando à defesa da liberdade na Internet, com os olhos postos no Irão, na Tunísia ou no Egipto. Mais um artigo comparando a dualidade de alguns governantes ocidentais que elogiam o uso, que tem sido feito pelos manifestantes, das redes sociais e da Web 2.0 e criticam a sua censura ou corte enquanto que, simultaneamente, tentam silenciar o site Wikileaks ou outras manifestações semelhantes de uso livre da Internet.
Destaco do artigo esta observação:
My friend Mark wrote a great Facebook note about this today. He says the internet has replaced violence and guns as the true nexus of power. Mark believes guns belong to yesterday (the army, the police, the dictator) and the internet belongs to tomorrow (transparency, the citizens, democracy). He says the right to the internet should be the true Second Amendment right.

2010-2011 começa a tornar-se o biénio em que urge reanalisarmos as nossas percepções do que é legítimo e ilegítimo na Internet e do que deve ou não deve ser regulamentado. Acima de tudo porque, como tem sido possível observar, esta tornou-se um dos instrumentos mais eficazes para a democratização da sociedade, reduzindo as diferenças sociais, geográficas e materiais no acesso à cultura ou considerações de diferenças raciais ou de género.


Mais duas notas:
- a presença feminina nestas manifestações ajuda a afastar alguns receios de fundamentalismo religioso.
- apesar de algumas pilhagens no Museu do Cairo e noutros locais arqueológicos, quer o exército, quer grupos de cidadãos voluntários estão a tentar proteger este património único e insubstituível. No seu site, editado a partir de Londres, o responsável máximo pelo património arqueológico egípcio, Dr. Zahi Hawass, dá conta do evoluir da situação. Pode ler o texto aqui.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Edgar Morin - um olhar para os tempos que correm

"Les nuits sont enceintes et nul ne connaît le jour qui naîtra"

Edgar Morin dixit:
"En 2010, la planète a continué sa course folle propulsée par le moteur aux trois visages mondialisation-occidentalisation-développement qu'alimentent science, technique, profit sans contrôle ni régulation. (...)
La mondialisation, loin de revigorer un humanisme planétaire, favorise au contraire le cosmopolitisme abstrait du business et les retours aux particularismes clos et aux nationalismes abstraits dans le sens où ils s'abstraient du destin collectif de l'humanité. (...)
Mais partout le pouvoir de décision est celui des marchés, c'est-à-dire de la spéculation, c'est-à-dire du capitalisme financier. Presque partout les banques, dont les spéculations ont contribué à la crise, sont sauvées et conservées. (...)

C'est en 2010 que s'est accrue sa force de démocratisation culturelle qui permet le téléchargement gratuit des musiques, romans, poésies, ce qui a conduit des Etats, dont le nôtre, à vouloir supprimer la gratuité du téléchargement, pour protéger, non seulement les droits d'auteur, mais aussi les bénéfices commerciaux des exploitants des droits d'auteur.(...)
Ce qui est remarquable est que les Etats ne se préoccupent nullement de maîtriser ou au moins contrôler "le marché", c'est-à-dire la spéculation et le capitalisme financier, mais par contre s'efforcent de juguler les forces démocratisantes et libertaires qui font la vertu d'Internet.(...)

Um artigo extremamente actual no dia em que os Egípcios vêem ser-lhes cortado o acesso à Internet.

Pode ler o artigo aqui.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A angústia (?) do plágio

Quando o comentário que se deseja é a knock-out e o que se obtém é a knock-off, é porque se cruzou perigosamente a linha entre a "criatividade" e a "absorção tão intensa que se entranhou a estética alheia".
Com três projectos em mão, encontro-me naquela fase crítica em que olho para o que faço e o que ontem me parecia novo e diferente, hoje começa a lembrar-me coisas já lidas algures.
Será este um drama comum? De acordo com um artigo de 1 de Agosto, no New York Times, não é tão comum quanto isso. A preocupação em se ser honesto e original está a tornar-se algo do passado, com o acesso fácil à cópia livre na Internet. Embora, paradoxalmente, também seja muito mais fácil descobrir e distinguir-se o original do pastiche.
O artigo é interessante e recomendo: Plagiarism Lines Blur for Students in Digital Age.
Ler estava associado ao folhear, ao suporte físico com uma cor, um formato, uma textura, um local na estante. Mas ler num computador não fornece tantas pistas. As palavras não pertencem a um livro castanho, azul ou verde, com um desenho assim ou assado na capa. São apenas aquelas letras pretas no écrã do computador, iguais de ficheiro para ficheiro, de página web para página web.
Assim, ou se é muito cuidadoso ou se escorrega para aquele terreno perigoso do "não é uma cópia, é só muito parecido com o original." O que, na linha do artigo do NYT, até espelha a crescente desvalorização do esforço, dos direitos de autor e da "vergonha na cara", frequentes nas gerações multimédia (acho que já há mais do que uma) que apresentam, naturalmente, as palavras dos outros como sendo suas.
A velha e bem conhecida imagem de Bernardo de Chartres de que somos anões aos ombros de gigantes foi retocada e adquiriu novas roupagens: podemos agora, claramente, dizer que somos anões preguiçosos com a obra de gigantes ao alcance dos nossos dedos.
O que não é bonito, nem fica bem. (Será que já li isto noutro lugar?)