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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Que futuro para o Egipto?

E para o restante mundo árabe? A Primavera continuará em 2012?

Um artigo interessante de Yasmine El Rashidi na The New York Review of Books: Egypt on the Edge  


segunda-feira, 7 de março de 2011

O futuro incerto do nosso Passado


The New York Times reports that as of today, Zahi Hawass has resigned his position as Egypt’s Minister of Antiquities. (...)
Today Hawass updated his blog again, only this time with a long list of damaged and looted sites that Egypt’s authorities have been unable to secure. He includes dire news of the Metropolitan Museum of Art’s storage warehouse storing artifacts from the museum team’s excavation in Dahshur. Hawass reports it was attacked twice and that looters were able to overpower and tie up the guards. The news of his resignation followed. Aqui
Também pode ler aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Egipto - Revolução Facebook


Reflexão do dia:

Depois do fracasso da Revolução Twitter no Irão, temos o sucesso da Revolução Facebook no Egipto.
Mas que não haja ilusões. Esta revolução só tem sucesso porque foi levada para o meio da rua. Revoluções no sofá não resolvem nada.
O Facebook demonstrou que tem o poder dos tambores doutros tempos que, do alto das colinas, informavam e convocavam as diferentes tribos. Qualquer um podia, afinal, subir ao monte e tocar os tambores. O Facebook, ao contrário dos jornalistas e dos meios de comunicação mainstream, mostra que, também hoje, qualquer um pode iniciar um movimento e ser ouvido. A Web 2.0 e a interconectividade global devolveram o poder às pessoas e tornaram-se a verdadeira expressão da democracia. Há perigos, falhas e erros? Claro, que sim. Mas há também um 4º poder que não pode ser ignorado - as Redes Sociais começam a descobrir-se como meio de activismo e são contagiosas.
No meio de tudo isto, sobressai, por isso, o poder que, de repente, se volta a conferir à mensagem e ao seu sentido puro. As televisões inundam-nos de publicidade, distracções e de notícias seleccionadas? A população egípcia responde, escrevendo-se enquanto texto histórico em curtas mensagens e levando os jornalistas atrás de si, como ovelhinhas perdidas.
Quem não perde o brilhantismo são os vários opinion-makers da nossa praça que, a posteriori, analisam o que aconteceu. Os opinion-makers são um bocadinho como os apêndices. Não se sabe muito bem para que servem e, de vez em quando, chateiam que se fartam.

 Fonte - Fail

 Fonte - Major fail!

 Fonte - Success!

Egipto - parabéns!

Embora sem saber o que trará o novo Egipto, uma verdade é incontestável: nenhuma aliança internacional, nenhum amigo americano, nenhum amigo russo e nenhum exército bem armado é capaz de impedir uma população de tomar o  destino nas suas mãos.  
As imagens que os canais de televisão transmitem, em directo da Praça Tahrir, mostram a mesma vontade de liberdade e a mesma força dos alemães que, em 1989, deitaram abaixo o Muro de Berlim. Assistimos à história em directo e ao vivo.
A única coisa que se pode agora esperar é que a população egípcia consiga aquilo a que tem direito - respeito, liberdade, igualdade, justiça, democracia, melhores condições de vida. Quero ser optimista e acreditar que as boas notícias de hoje trarão um futuro melhor para a região e que um Egipto verdadeiramente democrata consiga conciliar todas as expressões religiosas e políticas. Para já, os tempos são de celebração. Parabéns!

Testemunhos de vontade e persistência.








terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Envoys from Alexandria"

                           Konstantinos Kaváfis, "Envoys from Alexandria"                                                  


They had not seen, for ages, such beautiful gifts in Delphi
as these that had been sent by the two brothers,
the rival Ptolemaic kings. After they had received them
however, the priests were uneasy about the oracle. They will need
all their experience to compose it with astuteness,
which of the two, which of such two will be displeased.
And they hold secret councils at night
and discuss the family affairs of the Lagidae.

But see, the envoys have returned. They are bidding farewell.
They are returning to Alexandria, they say. And they do not ask
for any oracle. And the priests hear this with joy
(of course they will keep the marvellous gifts),
but they also are utterly perplexed,
not understanding what this sudden indifference means.
For they are unaware that yesterday the envoys received grave news.
The oracle was given in Rome; the division took place there.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A liberdade ao alcance dos dedos

Mais um artigo apelando à defesa da liberdade na Internet, com os olhos postos no Irão, na Tunísia ou no Egipto. Mais um artigo comparando a dualidade de alguns governantes ocidentais que elogiam o uso, que tem sido feito pelos manifestantes, das redes sociais e da Web 2.0 e criticam a sua censura ou corte enquanto que, simultaneamente, tentam silenciar o site Wikileaks ou outras manifestações semelhantes de uso livre da Internet.
Destaco do artigo esta observação:
My friend Mark wrote a great Facebook note about this today. He says the internet has replaced violence and guns as the true nexus of power. Mark believes guns belong to yesterday (the army, the police, the dictator) and the internet belongs to tomorrow (transparency, the citizens, democracy). He says the right to the internet should be the true Second Amendment right.

2010-2011 começa a tornar-se o biénio em que urge reanalisarmos as nossas percepções do que é legítimo e ilegítimo na Internet e do que deve ou não deve ser regulamentado. Acima de tudo porque, como tem sido possível observar, esta tornou-se um dos instrumentos mais eficazes para a democratização da sociedade, reduzindo as diferenças sociais, geográficas e materiais no acesso à cultura ou considerações de diferenças raciais ou de género.


Mais duas notas:
- a presença feminina nestas manifestações ajuda a afastar alguns receios de fundamentalismo religioso.
- apesar de algumas pilhagens no Museu do Cairo e noutros locais arqueológicos, quer o exército, quer grupos de cidadãos voluntários estão a tentar proteger este património único e insubstituível. No seu site, editado a partir de Londres, o responsável máximo pelo património arqueológico egípcio, Dr. Zahi Hawass, dá conta do evoluir da situação. Pode ler o texto aqui.

Alexandria

A ler: o artigo de Robert Fisk, alguém que conhece, como poucos, o Médio Oriente. Fonte da imagem
 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Edgar Morin - um olhar para os tempos que correm

"Les nuits sont enceintes et nul ne connaît le jour qui naîtra"

Edgar Morin dixit:
"En 2010, la planète a continué sa course folle propulsée par le moteur aux trois visages mondialisation-occidentalisation-développement qu'alimentent science, technique, profit sans contrôle ni régulation. (...)
La mondialisation, loin de revigorer un humanisme planétaire, favorise au contraire le cosmopolitisme abstrait du business et les retours aux particularismes clos et aux nationalismes abstraits dans le sens où ils s'abstraient du destin collectif de l'humanité. (...)
Mais partout le pouvoir de décision est celui des marchés, c'est-à-dire de la spéculation, c'est-à-dire du capitalisme financier. Presque partout les banques, dont les spéculations ont contribué à la crise, sont sauvées et conservées. (...)

C'est en 2010 que s'est accrue sa force de démocratisation culturelle qui permet le téléchargement gratuit des musiques, romans, poésies, ce qui a conduit des Etats, dont le nôtre, à vouloir supprimer la gratuité du téléchargement, pour protéger, non seulement les droits d'auteur, mais aussi les bénéfices commerciaux des exploitants des droits d'auteur.(...)
Ce qui est remarquable est que les Etats ne se préoccupent nullement de maîtriser ou au moins contrôler "le marché", c'est-à-dire la spéculation et le capitalisme financier, mais par contre s'efforcent de juguler les forces démocratisantes et libertaires qui font la vertu d'Internet.(...)

Um artigo extremamente actual no dia em que os Egípcios vêem ser-lhes cortado o acesso à Internet.

Pode ler o artigo aqui.

Egipto - mais mudanças em curso?

O Norte de África atravessa uma outra mutação que, como é corrente nesta região, ultrapassa as fronteiras políticas dos Estados: foi assim aquando das invasões romanas, árabes e cristãs ou aquando da descolonização. O que acontece num país costuma expandir-se para os vizinhos.                               Fonte da imagem

Entretanto, a agitação estende-se também à Península arábica, chegando ao país da Rainha do Sabá e do café moca: o  Iémen. A antiga Arabia Felix mostra nas ruas que a felicidade há muito que não pára por ali. 
                                                                                
Quem virá ocupar o vazio deixado por estas revoluções ou quem irá chegar ao poder após os tumultos? Que caminho irá ser seguido? O da democracia ou o da teocracia?

(Vale a pena ler este artigo.)