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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Espírito de Natal

Percebo que se avizinhe um Natal mais pobre mas não um pobre Natal porque, supostamente, esta é a época de reflexão e caridade cristã e de celebração do Nascimento d'O que disse "Bem aventurados os pobres, pois é deles o Reino dos Céus".

Ladainhas porque não se pode gastar pipas de massa em comprinhas de Natal é um bocado triste. Agora testemunhos de que se não pode pagar a electricidade no fim do mês em plena época natalícia fazem doer a alma.

Prioridades, senhores, prioridades. (A partir de conversas ouvidas aqui e ali)



Fontes das imagens: aqui e aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Austeridade colossal!

Segundo o nosso Primeiro, os cortes no Ministério da Educação serão colossais. Mas, de acordo com a portaria 277/2011, publicada na véspera da apresentação do Orçamento, as escolas privadas com contrato de associação vão receber 85.288 euros por turma. Mais 5 mil euros do que havia sido acordado no ano lectivo passado.
A contradição é apenas aparente:
  • umas escolas alugam aviões para reclamar mais dinheiro; outras nem têm dinheiro para fotocópias;
  • umas escolas têm altas figuras do Estado a manifestar o seu apoio à atribuição de mais verbas; outras escolas têm de ouvir recados sobre poupanças e cortes;
  • umas escolas são privadas; outras são públicas;
  • umas são de e para ricos ou bem remediados; outros são de e para pobres ou muito esforçados.
E não há contradição porquê? Porque este país não é para pobres. Se for rico ou aparentado, não se preocupe - a austeridade colossal não é para si.
Vale a pena ler os textos aqui e aqui.
Fonte da imagem

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Contradições

Depois de ler que os cortes na Educação para o ano serão ainda mais dolorosos, fico a pensar se não se devia poupar mais a sério este ano - em recursos não-humanos.
Não é para ser do contra, mas como é que isto (subida do IVA pode deixar escolas sem dinheiro para pagar a electricidade) pode coexistir pacificamente com a cada vez maior dependência escolar de computadores e aparelhagens xpto? Isso não tem custos energéticos? 
Gosto muito das tecnologias mas também gosto muito de moderação. Como é que se vai pagar a factura eléctrica dos quadros branquinhos interactivos, das aulas de manuais online e das apresentações em PowerPoint como o centro do mundo?
Tudo isto é muito útil mas são complementos ou os únicos suplementos?
E as secretarias? Será que algumas já deixaram de usar registos em papel?

Se vamos andar a pão e água, não devíamos começar por apagar a luz?

(Imagem encontrada aqui)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O direito de escolha

Todos falam do direito de escolha - da escola, do regime de segurança social, da rede de telemóvel, do tipo de governação e por aí fora.
Hoje o Rei Gaspar trouxe estas ofertas: aumento da taxa do IVA na electricidade e no gás.

Como não gostei, vou ficar à espera para ver o que trazem o Rei Baltasar e o Rei Melchior para escolher a oferenda que mais me agradar.
Aviso desde já que não quero saber dos enfeites para nada. A mim interessa-me é o que vem dentro do embrulho. E acho bem que não me tirem o resto do subsídio de Natal ou dá-me uma de Robespierre e recebo os Reis Magos de mini-guilhotina...
A sábia imagem é daqui.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Notícias da educação pelos States

A batotice dos professores nos testes...
Durante anos houve queixas de que basear a avaliação das escolas e dos professores em testes standardizados levava a um nivelamente por baixo porque os alunos eram apenas treinados para testes.
Agora conseguiu-se ir um pouco mais além e houve algumas "batotices" nas notas feitas por... professores. Era bom que as pessoas pensassem nos outros antes de pensar em si e que estes professores e directores de escolas tivessem pensado que era melhor preparar os alunos do que terem boas avaliações. Mas depois pensa-se que há uma crise por aí e há uma casa para pagar e famílias para sustentar e uma escola para manter aberta e as coisas ficam menos preto no branco.

E depois também há quem governe assim: para poupar dinheiro nas enfermeiras escolares (uma prática nas escolas americanas), o Governo local votou a favor de uma proposta que obriga os professores a terem  umas horas de "formação médica" para poderem substituir as ditas enfermeiras, caso necessário.
Vale a pena ler o pasmo desta professora que imagina o que fazer caso tivesse de inserir (conforme vem nas instruções / ordens que agora lhe batem à porta) uma seringa num determinado sítio a uma aluna epiléptica, continuando, ao mesmo tempo, a dar a sua aulita.
Parece exagerado mas a lei não mente. Se a aluna morrer em consequência da injecção mal aplicada a culpa é dela. Se abandonar os alunos na sala ou os mandar sair e algo correr mal a estes, a culpa também é dela.
Só quem governa é que fica isento de culpas. Como sempre e para variar. E, muito provavelmente, as duas notícias até estão relacionadas. Vamos todos fazer figas para que os iluminados do costume não se deslumbrem ou ainda as trazem para cá...

Imagem tirada daqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Em defesa da Educação

É bonito - a crise tem destas coisas e faz despertar a solidariedade onde menos se espera. Agora era giro ver os banqueiros demonstrar a mesma generosidade relativamente aos seus concidadãos. Acho que podemos esperar sentados mas sonhar não custa e não paga impostos.
A notícia vem dos Estados Unidos, onde os estudantes protestam contra os despedimentos dos professores devido aos cortes orçamentais:

More protests against school budget cuts and limitations on teachers' rights are taking place across the country - except at these rallies, attendants have backpacks and braces. High school students nationwide are standing up for their teachers by protesting or walking out of class. And some schools are threatening hardcore punishments.
After teachers in Katy, Texas were pulled out of class last week to be told they'd been laid off, students decided to protest. They took to the streets with signs that read "Save our Teachers" and "Honk for Teachers," KUOH reports. Fonte
    Fonte

sábado, 22 de janeiro de 2011

As prioridades do Estado Social

Apoio o Estado Social. Sou contra os valores defendidos pelo Estado Social em que vivo.
Por exemplo:

"Banco de Portugal: reduções sobre as outras componentens salariais
O corte de custos salariais no Banco de Portugal não vai incidir sobre a tabela dos ordenados base dos trabalhadores, assinadas no quadro do acordo colectivo de trabalho, garantiu o administrador Vítor Pessoa.
O PÚBLICO apurou que, numa reunião com os delegados dos trabalhadores, Pessoa explicou que a decisão não iria implicar cortes nos vencimentos acordados com as estruturas sindicais, mas sim noutras componentes salariais, que nalguns casos equivalem a quase metade do vencimento auferido. Referiu, nomeadamente, o complemento remuneratório, que será reduzido em três por cento, o subsídio de funções, que terá um corte de 10 por cento, e a remuneração variável de desempenho, que cairá 50 por cento.
No total, os trabalhadores que aufiram mais de 1500 euros irão ter em 2011 um corte salarial médio de 5,6 por cento. A redução dos custos salariais com pessoal atinge os sete por cento, se incluirmos a redução de 10 por cento nos ordenados dos administradores. O BdP informou ainda que pretende mexer de forma substancial nas despesas de funcionamento. A intenção passa por aplicar cortes significativos ou até eliminação de gastos sociais, como, por exemplo, os apoios aos clubes desportivos e de teatro do BdP, ou os subsídios concedidos aos trabalhadores para compra de livros técnicos e computadores." Fonte

Fonte
Os trabalhadores do Banco de Portugal têm subsídios para livros técnicos e computadores pagos pelos impostos de todos nós. Incluindo os professores e os médicos que nunca ouviram falar de tais benefícios. Faria algum sentido subsidiar a compra de livros técnicos / científicos e computadores por parte de médicos e professores? Faria. A sua actualização é uma autêntica mais-valia para o país e seria um investimento seguro. Infelizmente, não somos um país rico e não podemos fazer este tipo de investimento.
Faz algum sentido subsidiar os funcionários do Banco de Portugal? Alguém é capaz de explicar o raciocínio por detrás desta medida? E vamos ponderar reduzir o subsídio ou eliminá-lo por completo? 

Juro que gostava de ver muito bem discriminados todos os gastos do Estado. Porque esta notícia já não é apenas ridícula - é um insulto a todos os que pagam estes devaneios de país armado em novo-rico.
Já não há paciência!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Amiguismo e uma mãozinha no bolso alheio

O voto é sempre importante. Sobretudo se for para tentar acabar com isto:

(Mais uns quantos carritos novos? Então não se cortou os vencimentos
dos Funcionários Públicos porque não há dinheiro?)

Ou com isto:
Aqui

Por isso, aproveite o sol de um Domingo fresquinho e vote.
Bom fim-de-semana.

Um submarino, dois submarinos, três submarinos

Saída de professores paga submarinos

"A redução de cinco mil docentes ajudou a compensar a derrapagem da despesa com os dois submarinos.
O corte no número de professores do Estado permitiu travar o crescimento das despesas com pessoal de 2010, revelou ontem a Direcção-Geral do Orçamento. A redução de cinco mil docentes no actual ano lectivo foi um dos factores que ajudou a compensar a derrapagem da despesa pública provocada pelo pagamento dos dois submarinos. Mas não foi o único: as receitas tiveram de ser insufladas com o fundo de pensões da PT para que Teixeira dos Santos garantisse um défice abaixo dos 7,3% a Bruxelas."
Como o joguinho da batalha naval já está um pouco fora de moda e para o ano se prevê a redução de 20 ou 30 mil professores, será que dava para comprar antes  um space shuttle? 


domingo, 18 de julho de 2010

O Estado da Nação 2

Segundo um estudo recente da Eurosondagem (pode ser consultado aqui), os cortes orçamentais que as famílias estão a fazer distribuem-se por esta ordem:
1 - vestuário e calçado (20%)
2 - supermercado (17%)
3 - restaurantes (16,8%)
4 - telemóvel (16%)
5 - Internet e televisão por cabo (13,8%)
6 - lazer (cinema, teatro, concertos) (7,2%)
7 - livros e discos (5%)

Olhando para os números, até parece que as famílias vão optar por cortar mais no que é essencial e cortar menos no que é cultural. Mas entre o que dizem os números e aquilo que se suspeita ser a realidade vai uma diferença. É que os hábitos de leitura e de compra de livros de algumas famílias são tão residuais que, certamente, estas não podem diminuir o que já não fazem. Logo, o resultado final da sondagem fica com outro peso.
Por outro lado, cortar em livros significará, provavelmente para muitos, adiar ou evitar a compra de livros escolares.
Das poucas livrarias tradicionais que ainda subsistem, quantas sobreviverão a esta crise?
Maus tempos. O Estado da Nação continua, realmente, a não estar grande coisa.