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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uns e Outros

Esta campanha é engraçada mas convenhamos que a grande piada de se mascarar está em vestirmo-nos de Outros. Se o Outro é o Super-homem, a Mulher-maravilha, a Pocahontas ou uma cigana húngara é irrelevante. É sempre um Outro porque se distingue do nosso dia-a-dia. Será que os Outros se importam? Ficará uma japonesa incomodada por ver uma criancinha lusa ou americana vestida de gueixa? E se for de odalisca? Ou de nazarena? Ou de minhota? Ou de cossaco?
A grande piada está no vestir uma máscara. O que não tem piada nenhuma é a mania do politicamente correcto que mais uma vez, mesmo quando até é engraçado, parece obcecado em tirar a graça e o salzinho à nossa vida.

Campanha, cheia de boas intenções, dos alunos de uma escola no Ohio: Somos uma cultura, não uma máscara. Pois, mas o Halloween é um dia e o Carnaval são três. Não era preciso ficarem tão chateados por causa de uma mascarazita...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Creme Nívea? Seremos suficientemente civilizados?

Os criativos por detrás desta campanha da Nívea decidiram inventar e acharam que isto era uma boa ideia. Entre o conceito de se "re-civilizar" e a imagem da máscara na mão, mostrando o lado não "civilizado", há todo um ror de disparates que nem é preciso mencionar. Para tornar tudo isto ainda mais idiota, os restantes anúncios da campanha não usam a expressão "re-civilizar-se" para os modelos caucasianos. A notícia pode ler-se aqui bem como as hiperligações para os outros anúncios da campanha. Este é o anúncio da polémica.

Enfim, falta de jeito, falta de tacto, falta de massa cinzenta ou falta de gosto?

(Post pré-programado para publicação a 23 de Agosto)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O poder das cores e das palavras

Na antiga revista Spirou surgiu, um dia, uma história de  João e Pirulito (Johan et Pirlouit)  com um seres azuis e pequeninos. Estes ganharam independência e tornaram-se titulares de álbuns próprios: os schtroumpfs. Gostava muito dos Estrumpfes mas tive alguns pesadelos com o Estrumpfe negro. A história conta-se em poucas palavras e, se a memória não me falha, era assim. Um dia, um Estrumpfe é picado por uma mosca terrível e transforma-se num Estrumpfe negro como a noite, de olhos vermelhos, que saltita de punhos cerrados em busca de outros Estrumpfes para os morder. A única coisa que diz é gnap, gnap, gnap. Depois de uma grande parte dos Estrumpfes ter sido infectada pelas dentadas, conseguem descobrir que o pólen de uma flor reverte o processo. Os Estrumpfes, armados de bisnagas, pulverizam os Estrumpfes negros que, depois de espirrarem, voltam ao normal.
Na altura, com um tamanhinho idêntico ao de um Estrumpfe, apavoraram-me: eram como zombies. Nada mais do que isso: zombies, de olhos vermelhos e cara zangada, sem personalidade e vontade própria. Foi a ideia de que todos pudéssemos ficar assim, infectados e "sem cérebro", que me assustou. Não creio que tenha feito qualquer leitura colonialista ou racial.
No entanto, o politicamente correcto (?)  decidiu tratar da saúde aos desenhos de Peyo.
Nos Estados Unidos, tornou-o violeta e, em Portugal, a editora Asa também não fez melhor e pintou-o de azul mais escuro...
Compare-se as versões à venda na Fnac francesa, na Fnac portuguesa e na Amazon americana. Palavras para quê.
 
A sério. Apetece morder em alguém.