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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Metáfora ou demasiado claro?

O novo vídeo de Florence Welch tem causado alguma controvérsia e sido acusado de racismo por causa da imagem de um ser maligno, pintado de escuro e lembrando o "black face" dos espectáculos americanos da primeira metade do século passado. Para acentuar os opostos, temos o coro de meninos brancos que salvam a artista torturada.

           

Embora o politicamente correcto me chateie até dizer chega, admito que este vídeo me causa algum incómodo.
Aguardam-se desenvolvimentos e a resposta da banda à polémica.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uns e Outros

Esta campanha é engraçada mas convenhamos que a grande piada de se mascarar está em vestirmo-nos de Outros. Se o Outro é o Super-homem, a Mulher-maravilha, a Pocahontas ou uma cigana húngara é irrelevante. É sempre um Outro porque se distingue do nosso dia-a-dia. Será que os Outros se importam? Ficará uma japonesa incomodada por ver uma criancinha lusa ou americana vestida de gueixa? E se for de odalisca? Ou de nazarena? Ou de minhota? Ou de cossaco?
A grande piada está no vestir uma máscara. O que não tem piada nenhuma é a mania do politicamente correcto que mais uma vez, mesmo quando até é engraçado, parece obcecado em tirar a graça e o salzinho à nossa vida.

Campanha, cheia de boas intenções, dos alunos de uma escola no Ohio: Somos uma cultura, não uma máscara. Pois, mas o Halloween é um dia e o Carnaval são três. Não era preciso ficarem tão chateados por causa de uma mascarazita...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O poder das cores e das palavras

Na antiga revista Spirou surgiu, um dia, uma história de  João e Pirulito (Johan et Pirlouit)  com um seres azuis e pequeninos. Estes ganharam independência e tornaram-se titulares de álbuns próprios: os schtroumpfs. Gostava muito dos Estrumpfes mas tive alguns pesadelos com o Estrumpfe negro. A história conta-se em poucas palavras e, se a memória não me falha, era assim. Um dia, um Estrumpfe é picado por uma mosca terrível e transforma-se num Estrumpfe negro como a noite, de olhos vermelhos, que saltita de punhos cerrados em busca de outros Estrumpfes para os morder. A única coisa que diz é gnap, gnap, gnap. Depois de uma grande parte dos Estrumpfes ter sido infectada pelas dentadas, conseguem descobrir que o pólen de uma flor reverte o processo. Os Estrumpfes, armados de bisnagas, pulverizam os Estrumpfes negros que, depois de espirrarem, voltam ao normal.
Na altura, com um tamanhinho idêntico ao de um Estrumpfe, apavoraram-me: eram como zombies. Nada mais do que isso: zombies, de olhos vermelhos e cara zangada, sem personalidade e vontade própria. Foi a ideia de que todos pudéssemos ficar assim, infectados e "sem cérebro", que me assustou. Não creio que tenha feito qualquer leitura colonialista ou racial.
No entanto, o politicamente correcto (?)  decidiu tratar da saúde aos desenhos de Peyo.
Nos Estados Unidos, tornou-o violeta e, em Portugal, a editora Asa também não fez melhor e pintou-o de azul mais escuro...
Compare-se as versões à venda na Fnac francesa, na Fnac portuguesa e na Amazon americana. Palavras para quê.
 
A sério. Apetece morder em alguém.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Politicamente correcto e completamente idiota

Porque há quem tenha muito tempo livre, vai ser lançada uma versão politicamente correcta de uma obra de Mark Twain. A partir de agora, Huckleberry Finn aparece purgado de algumas palavras inapropriadas para os ouvidos modernos. Será que em vez de se censurar a obra, não se poderia explicar às criancinhas uma coisa chamada contexto?
Imagine-se tirar todos os aspectos discriminatórios de um texto como... o Novo Testamento. São Paulo poderia ficar com o mesmo destino que destinou às mulheres, exigindo o seu silêncio nas Igrejas. O tal silêncio que ainda bloqueia a aspiração de algumas a serem ordenadas Padres.
Contexto, meus senhores, contexto. Que tal ler o texto no seu contexto histórico e cultural? Que tal usar esse mesmo contexto histórico e cultural para explicar história e cultura? Será que estes senhores não percebem isso?

Fonte

(No more Injun Joe? He will be missed!)