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sábado, 15 de outubro de 2011

Rankings das escolas

O quê? Nestes dois anos em que se implementou o culto da excelência dos professores no Ensino Público, os resultados dos exames nacionais das escolas públicas vieram por aí abaixo?

Como é que isto aconteceu? Será que os professores, na busca da sua excelência se esqueceram da excelência dos seus alunos? Vamos fazer uma avaliação mais profunda e ver quantos professores "excelentes" e "muito bons" há nas piores escolas do ranking?
(Mas atenção, se calhar convinha ver se foram avaliados por conseguirem manter os alunos nas escolas. É que, nalguns casos, isso pode ser um excelente trabalho mas, então, criem-se outros rankings.)

Será que ninguém previu isto? Ah, claro que sim. Mas o que é que isso interessa desde que os professores estivessem "entretidos" em fazer projectos e projectozinhos, visitas ao fim da rua e conferências sobre o valor das papas de aveia, em vez de se preocuparem com as coisas importantes na educação, como os programas desajustados e facilitistas e a falta de rigor nas avaliações internas.

O sucesso é uma coisa gira porque pode ser visto de muitos ângulos. Basta olharmos para as notas internas e as taxas de transição dos alunos, para os resultados das avaliações dos professores e para os resultados dos exames nacionais separadamente. Por isso, para quê complicar e cruzar os dados...

sábado, 16 de julho de 2011

Floresta de enganos

Não vale a pena procurar uma árvore no meio da floresta. Há pinheiros, acácias, eucaliptos. Assim, não se culpe os professores pelos resultados dos exames. Anos a aprender com textos "do mundo real" porque toda a leitura é boa leitura só pode dar nisto. A importância da literatura (o tema pedido na composição) tornou-se a importância da leitura na cabeça de muitos estudantes que não distinguem os dois termos. Mas um texto de uma revista cor-de-rosa não é para ser descodificado - é de digestão fácil e a procura de informação não obriga à leitura atenta.
Além disso, disseram muitos iluminados, desde 2007 já há avaliação a sério de professores e, por isso, os professores muito bons e excelentes devem ter feito imenso pelos alunos para que estes fossem brilhantes e o brilho se estendesse pelo espaço escolar. Mas, pelos vistos, os professores andaram mais ocupados com toda a burocracia que os obrigam a cumprir e com a própria obsessão em ter um brilho pessoal qualquer e os alunos tornaram-se o menos importante no processo. Os iluminados (aqueles seres cheios de luzes nos cérebros vazios) achavam que a avaliação dos professores era o mais importante e, assim, o processo de avaliação aplicado (vácuo, errado e eticamente questionável) engoliu (e ainda engole) o sistema de ensino, deixando os alunos para um segundo plano.
Quanto ao grau de exigência destes exames, continua a anos-luz do grau de exigência de outras décadas. Não é por aí que está o erro.
O que fazer perante este panorama?
Convinha rever as obsessões com a comunicação e nomenclaturas gramaticais. A comunicação é importante mas é preciso ter conteúdo para comunicar. É preciso conhecer palavras, construir frases e sentidos. E é preciso que a gramática seja um instrumento para a compreensão da língua e não um conjunto de vocábulos que se memorizaram como fórmulas científicas. Convinha também voltar a insistir na leitura mas naquela que faz pensar e não na que só faz passar o tempo. Por último, se o sistema torna a avaliação dos professores o centro do processo, o sistema é um disparate pegado. Fonte da imagem.