segunda-feira, 14 de março de 2011

The horror, the horror

Joseph Conrad, em Heart of Darkness, imortaliza Kurtz no momento em que, contemplando o passado, o presente e a sua própria morte, este exclama The horror, the horror.
O horror a que Kurtz se refere deixou campo amplo a interpretações - Kurtz, que se assumira em tempos como o epítome da civilização, deixara a (sua) humanidade para trás, vivendo do comércio do marfim, no antigo Congo Belga, e exigindo tratamento divino a quem tratava como escravo.
Em Apocalypse Now, uma revisitação deste texto de Conrad, é o Coronel Kurtz (Marlon Brando) quem as pronuncia.
É a pensar nessas palavras (que tanto podem expressar o horror existente, como o horror criado pelo próprio homem) que ficam aqui estas referências.
A primeira, um vídeo do YouTube, mostra o horror do tsunami no Japão. Não o incorporo porque, infelizmente, é demasiado real e demasiado violento. Tsunami

A segunda é esta imagem que lembra o horror do nuclear e a necessidade de repensarmos seriamente se vale a pena este risco. Creio bem que não.

É daqui e mostra a preocupação perante as potenciais fugas radioactivas das centrais nucleares do Japão, após o tsunami.

A terceira é de Larry Kudlow que, perante as reacções positivas das bolsas depois deste desastre no Japão, afirma esta barbaridade: "The human toll here looks to be much worse than the economic toll and we could be grateful for that." (aos 37s)
Apesar de tentar corrigir ("the human toll is a tragedy, we know that") e de, mais tarde, pedir desculpa, há aqui uma perversão de valores assustadora. A notícia é daqui. E para quem não acredita, basta olhar para a completa ausência de reacção ou pasmo das suas colegas. Que valor atribuirá o Sr. Kudlow à vida humana? Cêntimos? Dólares?

                          
Kurtz poderá ter tido um momento de humanidade quando exclamou The horror, the horror
Este é um post sobre esse horror. 

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