Em tempos de contenção geral, o Estado decide honrar os seus compromissos com os funcionários do Banco de Portugal. Ora, os compromissos, entre pessoas de bem, são para serem cumpridos.
Ou pelo menos para alguns. Se fosse para todos já seria mais estranho. Seria de supor que a legalidade, a honra e o bom senso são conceitos universais. Não são. Funcionam assim quando dá jeito. Como agora.
Todos os outros funcionários a quem o Estado paga o ordenado não deviam ter inveja. Deviam era ter sido mais relevantes e trabalhar em áreas como o Banco de Portugal. Uma área importantíssima. O ministério das Finanças é quem o diz e quem sou eu para o desdizer. Numa das justificações para esta outra excepção às políticas de zero aumentos, o ministério sublinha: "a importância do contributo financeiro do Banco de Portugal, através dos resultados e da distribuição de dividendos."
Talvez assim os médicos percebam melhor porque não são aumentados: deviam ter tratado dos dividendos em vez dos doentes. Estes, afinal, só fazem despesa. O mesmo se pode dizer dos professores: em vez de resultados financeiros, apenas podem apresentar os resultados dos alunos. Que se calhar até nem servem para nada. E os polícias, magistrados e bombeiros? Algum foi capaz de contribuir financeiramente através dos resultados e da distribuição de dividendos? Não? Então não se queixem.
Prioridades e hierarquias são muito importantes e por aqui se definem os valores de uma sociedade e o estado da nação.
Que não está lá grande coisa.
Ironias...
Sem comentários:
Enviar um comentário