segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ortografias e desacordos

É difícil ler este artigo de Susie Dent no Independent sobre a forma como os ingleses tratam a sua língua, recebendo de braços abertos novas palavras e "resistindo à criação de uma Academia para legislar sobre o Inglês correcto", sem fazer a comparação com o tratamento que foi dado à nossa.
É a diferença entre uma língua naturalmente viva, que incorpora as palavras que vão nascendo diariamente, e uma língua que resiste à modernidade das palavras novas que a fariam crescer mas que se atira de cabeça para um "acordo" que a desfigura.
Os brasileiros, como os ingleses, assimilam cada palavra que chega mas já não são tão lestos no que respeita à colocação de uma armadura artificial na sua língua, sob a capa de uma falsa modernidade.

No artigo de Susie Dent há ainda esta história:

"The character of our language defines us, and dictionaries say as much about us as about the way we speak. There is an impressive story that the Holy Roman Emperor Charles V was selective in his choice of language, preferring to speak Spanish to God, German to soldiers, French to diplomats and Italian to women. English, it seems, he used sparingly – allegedly only to converse with geese. Absurd and unflattering such national portraits may be, but it's hard to deny that we are what we say."
 Claro que a língua nos define e, por isso, não devíamos alterar quem somos por decreto.
Imagem encontrada aqui.

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