terça-feira, 20 de setembro de 2011

O mau andamento da justiça

Que a justiça nunca foi cega, todos o sabemos. Há pouco tempo o canal ARTE apresentou um documentário sobre a história do Meermin (sereia), o navio negreiro holandês  que foi apresado na África do Sul  depois da "carga" de escravos malgaxes se ter revoltado e tomado o comando. Presos os escravos sobreviventes, "pertencentes" à Companhia Holandesa das Índias Orientais, passou-se ao exercício da "justiça" e vários revoltosos foram condenados à morte através de empalação. Os senhores juízes devem ter achado que era uma pena aplicada em nome da civilização contra a barbárie! Ainda com o nobre objectivo da educação em mente, os corpos dos condenados foram deixados expostos em praça pública para aviso a outros potenciais rebeldes! Nunca é demasiado recordar que a riqueza da Holanda e de outras antigas potências coloniais se construiu também sobre estes indignos alicerces.
Estava-se, então, no Ano do Senhor de 1766. Cinco anos depois do Auto-de-Fé que, em Lisboa, queimou o padre Malagrida, entre outros.  Em 1793 começava o ano do Terror em França.
Os livros de História gostam de lhe chamar o Século das Luzes. Eu, que sempre gostei da Idade Média apesar de lhe chamarem a Idade das Trevas, sempre tive dificuldade em compreender estes atributos. Não faria mais sentido dizer que onde há Homens há trevas e há luz?

Sem comentários:

Enviar um comentário