sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Steve Jobs e a Apple

É possível dar os parabéns ao homem e à invenção sem nos deslumbrarmos? Sim. O investimento da Apple no design não se limitou a tornar os seus produtos apetecíveis porque são engraçados e fashion embora este aspecto seja muito importante para a estratégia comercial da empresa. Seria impensável ver Carrie Bradshow a usar um portátil que não fosse um Mac. O episódio em que leva o seu "bebé" embrulhado numa pashmina para ser "curado" num centro informático é emblemático dessa ligação entre o ar fashionable dos produtos da Apple e o seu valor monetário.
É possível dizer que a mentalidade Windows nos leva a pensar no próximo portátil em termos de gigas, enquanto a mentalidade Apple nos leva a considerar primeiro as novas cores do computador? Se calhar também é um bocadinho assim.
Mas também é verdade que há uma enorme dose de criatividade e inovação tecnológica na casa Apple e que os seus produtos contribuíram muitíssimo para a rapidez do desenvolvimento a nível das telecomunicações, da acessibilidade musical e das plataformas digitais nos últimos anos. E é impossível pensar em Steve Jobs e ignorar o seu papel na criação do mundo maravilhoso da Pixar, de onde saíram pequenas pérolas como "For the Birds".
            

No entanto, a Apple é uma companhia que também tem contribuído para inverter a política de gratuitidade e democraticidade na Net. A percepção da Internet como um "espaço" de navegação tendencialmente livre e de consulta frequentemente aberta começa a tropeçar quando os caminhos ficam reduzidos perante a multiplicidade de aplicações que é preciso comprar ou adquirir e instalar para navegar a partir de um iPad, por exemplo.
Exemplo disto é a percepção de que há "sites de apoio" da Microsoft e há "lojas" da Apple. Não quer dizer que na Microsoft também não haja uma mentalidade de lucro e venda, mas parece menos óbvia e omnipresente.
Estas considerações à parte, Steve Jobs merece sem dúvida os parabéns pela sua capacidade de inovação e empenho empresarial, mesmo se não se concorda absolutamente com a sua filosofia comercial.
A propósito disto tudo, este anúncio icónico da Apple em 1984 merece ser revisitado. Foi apresentado uma única vez, no ano em que Orwell previa o mundo de pesadelo de 1984.
            

A imagem da série Sex and the City pode ser encontrada aqui. Também vale a pena ler o artigo que a acompanha.

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