quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O poder das cores e das palavras

Na antiga revista Spirou surgiu, um dia, uma história de  João e Pirulito (Johan et Pirlouit)  com um seres azuis e pequeninos. Estes ganharam independência e tornaram-se titulares de álbuns próprios: os schtroumpfs. Gostava muito dos Estrumpfes mas tive alguns pesadelos com o Estrumpfe negro. A história conta-se em poucas palavras e, se a memória não me falha, era assim. Um dia, um Estrumpfe é picado por uma mosca terrível e transforma-se num Estrumpfe negro como a noite, de olhos vermelhos, que saltita de punhos cerrados em busca de outros Estrumpfes para os morder. A única coisa que diz é gnap, gnap, gnap. Depois de uma grande parte dos Estrumpfes ter sido infectada pelas dentadas, conseguem descobrir que o pólen de uma flor reverte o processo. Os Estrumpfes, armados de bisnagas, pulverizam os Estrumpfes negros que, depois de espirrarem, voltam ao normal.
Na altura, com um tamanhinho idêntico ao de um Estrumpfe, apavoraram-me: eram como zombies. Nada mais do que isso: zombies, de olhos vermelhos e cara zangada, sem personalidade e vontade própria. Foi a ideia de que todos pudéssemos ficar assim, infectados e "sem cérebro", que me assustou. Não creio que tenha feito qualquer leitura colonialista ou racial.
No entanto, o politicamente correcto (?)  decidiu tratar da saúde aos desenhos de Peyo.
Nos Estados Unidos, tornou-o violeta e, em Portugal, a editora Asa também não fez melhor e pintou-o de azul mais escuro...
Compare-se as versões à venda na Fnac francesa, na Fnac portuguesa e na Amazon americana. Palavras para quê.
 
A sério. Apetece morder em alguém.

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