Pé ante é, o acordo ortográfico vai tomando conta da escola, dos livros, dos jornais e da televisão.
Depois desta Resolução do Conselho de Ministros, que obrigará as escolas a utilizar as novas regras já no próximo ano lectivo, pouco faltará para termos o acordo generalizado.
Infelizmente, as novas palavras continuam a soar-me a pouco verdadeiras.
A fatura, por exemplo, parece-me falsa (o que até é natural entre nós).
A direção parece-me perdida. A redação mal escrita. E as reações, ai as reações, parecem rações.
Depois há as opções (com p) que nos permitem escrever corrupto ou corruto. Corruto? Para mim, o primeiro existe, mas não se pode provar em tribunal; o segundo, nem uma coisa nem outra.
Já instalei, há alguns meses, o Lince (um conversor interessante, disponibilizado pelo ILTEC), mas só o experimentei. Parece que vou ter de o utilizar com mais frequência para rever textos.
Resistirei enquanto puder a uma mudança que nos afasta do latim mas também da explicação histórica das palavras. Vou também, cada vez mais, comprar livros na Amazon. Pelo menos, o Inglês ainda vem como eu gosto. O Português, versão simplex, assemelha-se à utilidade dos cartões do cidadão em dia de eleições: há lá qualquer coisa, mas não se vê. É como ir ao Egito e não perceber que lá falta o p de pirâmide...
Claude Verlinde, L'apocalypse par le papier

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