segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Loretta Lux - surreal ou irreal?

 At the Window, 2004                                            The Waiting Girl, 2006                                                Girl with Marbles, 2005

   
           
Trabalhadas a partir de sujeitos reais, pintadas e digitalizadas, as fotografias de Loretta Lux reportam-nos para diferentes universos culturais e imagísticos: as cores pastel dos postais ilustrados de outrora, as crianças dos quadros de Velázquez (que Loretta menciona como influência), os desenhos originais de Alice no País das Maravilhas.
 
                                                                     Sasha & Ruby, 2005
Mas o alheamento emocional nos rostos das crianças desperta sentimentos que Freud, melhor do que ninguém, soube nomear. É um estranhamento familiar (unheimlich) que não permite empatia. 
Descobri hoje a razão do simultâneo apego e desapego por estas fotografias. Não sei se Loretta Lux viu o filme Die Blechtrommel (O Tambor), mas estes rostos e a sua falta de expressão lembram-me, de forma automática e inconsciente, o perturbante protagonista do filme. Como diriam os ingleses, the resemblance is uncannyUncanny. Uma palavra que se traduz em alemão por unheimlich. O tal estranhamento freudiano que aterroriza sem saber porquê e que parte do que nos é familiar. 
 The Drummer, 2004 
Não consigo imaginar estes quadros de Loretta Lux nas paredes brancas da minha casa, mas pressinto que o próximo tema de Loretta - que afirma que a série sobre a infância está concluída - irá ser igualmente surpreendente.
 Loretta Lux, Self-portrait, 2007. Fujiflex Print
Referências:
Página de Loretta Lux;
Entrevista com Loretta Lux;
Loretta Lux, na Amazon.

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