Há dias melhores e piores. Hoje foi um dia "pior". Para amenizar a coisa, ia bem um pastelinho de Belém. Há muitos anos que são populares, resistindo à invasão dos visualmente fantásticos cupcakes. Usam armas diferentes. O pastel de Belém atira-nos com o aroma a canela e a textura que se desfaz suavemente contra o céu-da-boca. O cupcake prende-nos com o apelo às nossas memórias de infância, em que tudo era em cor bebé, em ponto pequeno e de brincar. Tem aquele "cute factor".
Há uns anos, o New York Times publicou um artigo sobre o que é "The Cute Factor":
Scientists who study the evolution of visual signaling have identified a wide and still expanding assortment of features and behaviors that make something look cute: bright forward-facing eyes set low on a big round face, a pair of big round ears, floppy limbs and a side-to-side, teeter-totter gait, among many others. Aqui

Estes são aspectos que infantilizam e despertam os nossos instintos protectores.A apetência pelo "cute factor" está na moda. Será por culpa daqueles adoráveis bonecos da Pixar? Da Hello Kitty? Do FarmVille? Acho que até podemos incluir os cupcakes nesta onda, embora nos EUA já se anuncie uma nova vaga: as lojas dos French Macaroon - ou macaron em Francês. (Parece que já lá vai o rancor que levou as batatas fritas - French Fries - a tornaram-se Freedom Fries). Espreitar online o Macaron Café, em Nova Iorque, não engorda, é de graça e faz bem à vista: aqui.
O "cute factor" faz muito sentido em sociedades consumistas e fúteis, em que já há algumas décadas se vive pacatamente, sem grandes dilemas morais ou catástrofes entre-portas. O que não consigo decidir é se desperta apenas o tal instinto parental ou se reaviva também a criança que há em nós.
Só sei que me apetece imenso algo doce. De preferência com pepitas de chocolate e laivos de cor-de-rosa. E uns pompons de chantilly (Marie Antoinette, de Sofia Coppola, com aqueles cupcakes e macaroons todos também deve ter tido alguma culpa nisto).






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