Se não é o fim do mundo, é, pelo menos, o princípio do fim do livro em papel. O Oxford English Dictionary, aparentemente, vai deixar de ser impresso, passando apenas a ser editado em formato digital. Aqui
Pode não parecer muito. O dicionário de que aqui se fala é a versão completa em vinte volumes e não as edições de bolso. Mas esta é também aquela edição de que nos socorremos para saber quais as novas palavras que foram adicionadas à língua inglesa em cada versão nova que aparece.
Quando algo tão institucional abandona o formato em papel, percebe-se que os ventos da mudança chegaram mais depressa do que se pensava. Quando pegava no velhinho OED em busca de uma palavra, folheava várias páginas e descobria umas quantas novas. Se não tinha certezas da ortografia, ia por aproximação. Com a edição online ganham-se várias facilidades mas também se perdem outras. Como, por exemplo, saber encontrar algo alfabeticamente e que perseverance vem antes de persistence.
Com as facilidades do digital, não faltará muito para que o saber-fazer tecnológico venha acompanhado de doses maciças de ignorância.
E para não parecer que apenas vejo um dos lados da questão, confesso que este artigo sobre o "ler no escuro" com um iPad ou com um Kindle me deixou com água na boca... Glowing praise in the dark for digital books.
A premissa é interessante: ler um romance vitoriano (ou Edgar Allan Poe!) "às escuras" cria, certamente, uma atmosfera diferente. Mas será que o olhar pós-moderno e ainda sem óculos aguenta a leitura nas páginas auto-iluminadas destes pequenos écrãs? O bom-senso diz-me que não e o meu oftalmologista concorda.


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