quinta-feira, 24 de junho de 2010

Alice num País de Maravilhas, algures deste lado do espelho

Qual é coisa qual é ela?

Para Alice, nesse país de maravilhas, nem tudo o que parece é e o que não se parece com nada, tem de ser alguma coisa.
Em Through the Looking-Glass, Alice descobre um poema sobre um monstro de descrição surrealista (o Jabberwocky), em que a linguagem aparenta não fazer sentido. Diz a confusa e clara Alice, depois de afirmar que o poema é muito bonito mas difícil de entender:

“Somehow it fills my head with ideas—only I don’t exactly know what they are! However, somebody killed something: that’s clear, at any rate—”

Genuína forma de verdade: a de quem, mesmo não percebendo nada, acabou por perceber tudo!

Ora, neste país de maravilhas, em que há leis de aplicação retroactiva, Decretos-Lei de utillidade duvidosa porque, dizem, são "anulados" por Leis gerais, estatísticas que provam que a criminalidade subiu e que o crime desceu, ou portagens nas Scut específicas porque é o correcto e em todas porque faz todo o sentido, tudo me parece também muito claro.

Tão claro, quanto o  nonsense de "Jabberwocky". Que alguém está a destruir alguma coisa, é claro como a água. Tal como Alice, resta-nos escolher outra realidade. Alguém viu por aí, um bolinho?

                          

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