Dois fenómenos que sempre me assustaram reúnem-se nesta notícia: o medo da mudança e a defesa da ignorância.
No Estado do Arizona foi aprovada uma medida que impõe a unicidade linguística através da exclusão cultural, obrigando os professores nas escolas estaduais a um domínio perfeito da língua inglesa. Num Estado onde, em certas regiões, o espanhol predomina, lembra-se, com as devidas diferenças, as tentativas de unificação linguística de alguns estadistas europeus. Como Mussolini, por exemplo, impondo o italiano às regiões francófonas ou de influência germânica, nos Alpes italianos.
O que mais surpreende (ou talvez não) é o facto de a medida ser aplicada em 2010, no mandato de um Presidente como Obama, e num país em que há muito se debate a questão da língua oficial que, legalmente, não existe. Se, neste momento, há quem promulgue uma lei tornando, de facto, o inglês a língua oficial de um Estado é porque se sente de perto a perda de uma hegemonia anglófona e o crescimento de uma cultura hispânica que aspira a tornar-se cada vez mais mainstream.
E, no entanto, por que razão me identifico culturalmente com uma América anglófona e vejo como estranhamente diferente uma América que é tão latina? Se calhar pela mesma razão que conto os dias para o final da série Lost enquanto não faço ideia em que canal está a TVE... Mas essa é uma escolha que faço por direito. Não por imposição.
http://www.huffingtonpost.com/2010/04/30/arizona-ethnic-studies-cl_n_558731.html
http://www.huffingtonpost.com/andre-segura/arizona-takes-yet-another_b_576841.html

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